Erica Lima Barbosa

Nossa Mulher Positiva é Erica Lima Barbosa, empresária, pesquisadora, escritora e assistente social. CEO do Portal O Convergente, atua na área de consultoria em ensino, pesquisa e mídias. Erica nos conta como iniciou sua carreira e todas as suas superações.

1. Como começou a sua carreira?  

Minha carreira começou aos 20 anos, na Feira Manaus Moderna, onde fui a primeira a implementar o “Disque Lanche”, ampliando minhas vendas de lanches para feirantes e importadoras. Em pouco tempo, conquistei independência financeira e percebi que poderia seguir dois caminhos: o trabalho braçal ou o intelectual. Escolhi o segundo e ingressei na faculdade.

 

Ainda como estudante, atuei como estagiária e monitora, quando descobri a vocação para a docência e a pesquisa. Fui selecionada como pesquisadora colaboradora na Fiocruz Amazônia, em projetos do Ministério da Saúde, e, ao mesmo tempo, iniciei a carreira como professora universitária. Nesse período, concluí pós-graduação, iniciei o mestrado e por oito anos lecionei em cursos de graduação e pós, além de coordenar pesquisas e liderar núcleos acadêmicos.

 

Mais tarde, decidi empreender e criei minha própria empresa de pesquisa, mídias e publicidade, com foco em comunicação e pesquisa qualitativa, também atuando como colaboradora em outras instituições do setor. Minha trajetória é marcada por experiências diversas que moldaram as habilidades que aplico hoje.

 

2. Como funciona o modelo de negócios do Portal O Convergente? 

O portal Convergente atua no ramo da comunicação, com foco em jornalismo político, cobrindo a política nacional, mas com destaque para a política local. Também publica pesquisas próprias, conquistando credibilidade e se tornando referência quando se fala em política no Amazonas.

 

Além das matérias, o portal abre espaço para campanhas publicitárias, entrevistas e possui um programa transmitido na TV e pelo YouTube, alcançando todos os municípios do estado.

 

O Convergente já recebeu diversos prêmios, entre eles o 4º lugar no Prêmio Nacional contra a Corrupção, com trabalhos de jornalismo investigativo reconhecidos em nível nacional.

 
3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

O momento mais difícil da minha carreira foi a transição do trabalho institucional para o empreendedorismo. Sempre imaginei seguir a vida acadêmica e cheguei a atuar em instituições com estabilidade, salário e projetos sob minha gestão. Mas ao decidir abrir meu próprio negócio, enfrentei inseguranças e dúvidas sobre abandonar o certo pelo incerto.

 

Nesse período, o apoio da minha família foi fundamental. Meu irmão me lembrou da importância de sempre ter planos alternativos e meu esposo reforçou que, se eu já havia gerido cursos e projetos em grandes instituições, também era capaz de gerir meu próprio negócio. Esse suporte, aliado à humildade de aprender com quem já empreende, me deu forças para superar a fase de transição e seguir no caminho do empreendedorismo.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora?

Um dos maiores desafios foi conciliar empresa e família. Meu negócio nasceu de forma familiar: hoje atuo junto com meu esposo e nossa filha, que já começou a trabalhar conosco desde cedo. Essa convivência trouxe uma rica troca de experiências, mas também conflitos naturais entre o pessoal e o profissional.

 

O que faz diferença é a profissionalização e a clareza de objetivos. Quando todos entendem que o foco é o crescimento da empresa e da família, os desafios se tornam superáveis. Afinal, empreender não é apenas tocar um negócio, é também aprender a empreender a própria vida.

 
5. Qual seu maior sonho?

Posso dizer que já realizei meu maior sonho: ser mentora da minha filha, vê-la preparada para a vida e conquistando seu espaço. Também encontrei um amor verdadeiro, formei minha família e tenho amigos em quem posso confiar.

 

Sou uma mulher independente e empoderada. Tudo o que estudei, as experiências e os desafios que enfrentei transformaram minha vida. Hoje, com nossos negócios consolidados e vendo minha filha seguir seu caminho, sinto orgulho da trajetória.

 

Para quem, aos 19 anos, viveu uma gravidez precoce e trabalhou na feira, olhar para trás e dizer “valeu a pena” é a maior realização.

 
6. Qual sua maior conquista?

Minha maior conquista foi me tornar mentora da minha filha. Apesar de ter sido professora de graduação e pós-graduação, cuidando e influenciando milhares de alunos, nada se compara a acompanhar de perto o desenvolvimento da minha própria filha.

 

Ser empreendedora me permitiu estar ao lado dela, acompanhar seu crescimento intelectual, emocional e espiritual, e contribuir para que se torne a pessoa que é hoje. Olhando para ela, sinto que dei certo na vida.

7. Livro, filme e mulher que admira:

Sou uma mulher eclética, com grande influência da literatura acadêmica e da vida prática. Foucault, com sua análise da microfísica do poder, foi um livro de cabeceira para mim, ajudando-me a enfrentar desafios pessoais e a inspirar outras pessoas, especialmente mulheres.

 

Admiro mulheres de diferentes contextos: pesquisadoras amazônidas como Tátia Lima e Iraildes Caldas, mulheres líderes comunitárias e trabalhadoras invisíveis na sociedade, como as que atuam em feiras. Também me inspiram mulheres que se posicionam na política, enfrentando preconceitos e barreiras estruturais, mostrando força e resiliência.

 

Hoje, sou grata a Deus, à minha família e amigos, e meu maior sonho é continuar inspirando a sociedade. Pretendo colocar em prática um projeto de ensino público e gratuito de História, Política e Cidadania em praças, porque acredito que a educação transforma vidas, assim como transformou a minha.