Nossa Mulher Positiva é Fabiana Collazo, que trabalhou durante 25 anos em uma instituição financeira e atualmente, se dedica totalmente no desenvolvimento do seu filho de 2 anos que tem Síndrome de Down.
Ser mãe de uma criança com necessidades especiais requer um grande empenho e dedicação por parte dos pais. A rotina é composta por diversas terapias que visam estimular o desenvolvimento físico, motor e intelectual da criança. No nosso caso, Diego começou a fazer fisioterapia desde os 4 meses de idade. Posteriormente, ele iniciou sessões de fonoaudiologia e terapia ocupacional. Essas terapias são essenciais para seu desenvolvimento, mas demandam muito tempo e energia.
Além das atividades terapêuticas de Diego, também preciso equilibrar a atenção entre ele e meus outros dois filhos mais velhos, que igualmente necessitam de cuidados e suporte emocional. Essa rotina intensa pode ser bastante desgastante, exigindo muita organização, paciência e força emocional. Contudo, ver o progresso e as conquistas de Diego, assim como o bem-estar dos meus outros filhos, faz com que todo o esforço valha a pena.
Graças a Deus, tenho uma excelente rede de apoio que desempenha um papel fundamental no nosso dia a dia. Minha família é extremamente presente e colaborativa. Quando não posso levar meu filho a uma terapia, sempre há alguém disponível para fazer isso por mim, garantindo que ele nunca perca uma sessão importante. Além disso, meus familiares gostam de passar tempo com ele, proporcionando-lhe diversas experiências. Seus primos, que são um pouco mais velhos, também participam ativamente, cuidando e brincando com ele, o que ajuda a desenvolver suas habilidades sociais e emocionais. Essa rede de apoio me dá tranquilidade e segurança, sabendo que meu filho está sempre cercado de amor e cuidado, mesmo quando eu não posso estar presente.
O momento mais difícil foi quando descobri que seria uma mãe atípica. Naquele instante, uma avalanche de medos e inseguranças tomou conta de mim. Fiquei muito triste, pensando em como seria a vida do meu filho. Será que ele conseguiria falar? Estudar? Eu temia que ele não tivesse amigos e muito menos uma namorada.
No entanto, após o diagnóstico, mergulhei em pesquisas e descobri que minhas preocupações iniciais não refletiam a realidade. Compreendi que ele apenas precisaria de muito estímulo e amor. Hoje em dia, vejo que pessoas com T21 (Trissomia do 21) estudam, trabalham, fazem amigos, namoram e até se casam. Cada criança é única, mas o mais importante é confiarmos e acreditarmos em suas capacidades.
É claro que ainda existem desafios, mas ver o progresso do meu filho e a felicidade dele compensa qualquer dificuldade. Ser mãe atípica me ensinou a ter mais paciência, resiliência e a valorizar cada pequena conquista. A jornada é diferente, mas cheia de momentos preciosos que eu não trocaria por nada.
Meu maior sonho é que ele consiga ser o mais independente possível. Desejo que ele possa estudar e trabalhar sem enfrentar preconceitos devido à sua condição genética. Quero que ele tenha a oportunidade de construir amizades verdadeiras e vivenciar a experiência de namorar. Acima de tudo, almejo que ele seja genuinamente feliz, vivendo uma vida plena e realizada, onde suas habilidades e potencial sejam reconhecidos e valorizados. Sonho com um mundo inclusivo e acolhedor, onde ele possa prosperar e sentir-se plenamente aceito e amado.
Minha maior conquista é, sem dúvida, a capacidade de enfrentar e superar as dificuldades enquanto aprendo com as diferenças que a vida apresenta. Tenho uma imensa gratidão por poder ajudar meu filho a alcançar uma vida melhor e mais independente. Cada desafio que superamos juntos fortalece nosso vínculo e me dá a certeza de que estou contribuindo significativamente para o desenvolvimento dele. Ver meu filho progredir e se tornar mais autônomo é uma fonte constante de inspiração e realização pessoal para mim.
Ser mãe atípica não é uma tarefa fácil. Nossa vida muitas vezes gira em torno das atividades dos nossos filhos, com inúmeras terapias e consultas com diversos profissionais, adaptadas às necessidades específicas de cada criança. Contudo, apesar dos desafios e das dificuldades diárias, cada conquista se torna uma vitória imensurável. Cada pequena etapa vencida traz uma alegria indescritível e reforça a nossa resiliência.
Gostaria de deixar uma mensagem de esperança e encorajamento: acredite sempre no potencial do seu filho e esteja ao lado dele em cada passo do caminho. Lembre-se de que um diagnóstico não determina o destino dele. A jornada pode ser árdua, mas com amor, paciência e incentivo constante, é possível superar os obstáculos e alcançar marcos importantes. Valorize cada progresso, por menor que seja, e celebre as vitórias junto com seu filho. Juntas, nós mães atípicas, formamos uma rede de apoio poderosa e inspiradora.
Para conhecer mais sobre a Síndrome de Down, recomendo a leitura de livros e a visualização de filmes e séries que abordem o tema. Além disso, é muito enriquecedor trocar experiências com outros pais e acompanhar o dia a dia de crianças com Síndrome de Down nas redes sociais. Aprendi muito através dessas interações e descobri que a realidade pode ser muito diferente do que eu imaginava. Antes, eu acreditava que meu filho teria muitos problemas de saúde e dependeria de nós, pais, para tudo. No entanto, ao conhecer melhor, percebi que pessoas com Síndrome de Down estudam, trabalham, namoram e até se casam!
1. "A Amizade de Ana" de Peter H. Reynolds – Um livro encantador que explora a amizade entre uma menina e seu amigo com Síndrome de Down.
2. "Como Vivemos: Síndrome de Down" de Gillian Bird – Um guia abrangente que oferece uma visão geral sobre a vida das pessoas com Síndrome de Down.
3. "Expecting Adam" de Martha Beck – Um relato emocionante e inspirador sobre uma mãe que descobre que seu filho terá Síndrome de Down.
1. "DOWN FOR LOVE" (Netflix) – Uma série que mostra a vida social e amorosa de jovens com Síndrome de Down, desmistificando muitos preconceitos e revelando a riqueza de suas experiências.
2. "O Filho Eterno" – Um filme brasileiro baseado no livro homônimo de Cristovão Tezza, que aborda a relação de um pai com seu filho que tem Síndrome de Down.
3. "Príncipe da Broadway" – Um documentário que segue a vida de um imigrante ganense em Nova York, cujo filho nasce com Síndrome de Down, e a forma como ele se adapta e cuida da criança.
Além dessas sugestões, recomendo procurar por documentários e vídeos educativos que possam fornecer uma visão mais ampla e aprofundada sobre a Síndrome de Down, ajudando a criar uma compreensão mais empática e informada.