Nossa Mulher Positiva é Rafaela Fernandes Moreira, psicóloga clínica e gestora de equipes em duas empresas. Com uma trajetória marcada por coragem, resiliência e propósito, Rafaela nos conta como deu os primeiros passos na área da psicologia, após uma transição de carreira desafiadora, e como vem construindo seu espaço no mercado.
Determinada e comprometida, aprendeu desde cedo a conciliar múltiplas responsabilidades, desenvolvendo a habilidade de ser multitarefas — algo que hoje é essencial para equilibrar sua rotina entre a vida profissional e pessoal.
Minha carreira clínica começou em 2017, quando decidi fazer a transição da área de Recursos Humanos e do setor comercial para os atendimentos psicológicos. No início, comecei como era possível naquele momento: sublocando uma sala, fazendo meus próprios cartões de visita e tentando construir minha presença. Mas, como muitos profissionais em início de carreira, enfrentei a dificuldade de atrair pacientes particulares.
Foi então que, no início de 2018, recebi um convite para atender pacientes de convênios em uma clínica multiprofissional — a primeira em que trabalhei. A partir daí, mesmo com muitos desafios, percebi que estava no caminho certo e não retornei mais ao RH. Essa virada foi essencial para consolidar minha trajetória na psicologia clínica.
Atualmente, ainda não possuo uma clínica própria, mas atuo por meio de parcerias em dois espaços diferentes. Na Clínica Sales, presto serviços como coordenadora na área de neuropsicologia, e na LM Alta Performance, sou responsável pela gestão de equipe. Além dessas frentes, realizo atendimentos clínicos em psicoterapia de forma online, o que me permite alcançar pacientes em diferentes localidades.
Apesar da experiência e do envolvimento com diferentes frentes de trabalho, um dos desafios atuais tem sido a prospecção de novos pacientes, especialmente no contexto virtual, o que me motiva a buscar estratégias mais eficazes de divulgação e posicionamento profissional.
Posso citar dois dos momentos mais desafiadores que passei, no final de 2015 para 2016, quando eu concluí minha graduação em psicologia, e estava desempregada com dificuldades de me recolocar na área. E o mais complicado foi no início da pandemia, quando as três clínicas que eu trabalhava fecharam, eu só me perguntava de onde eu iria tirar minha renda financeira, como eu iria conseguir pagar minhas contas, a minha especialização em Neuropsicologia, fora a preocupação com os pacientes que de uma hora para outra ficaram sem atendimento. Felizmente foi uma angústia que durou apenas algumas semanas.
Equilibrar esses dois mundos é um desafio constante, especialmente porque sou realmente apaixonada pelo que faço — estudar psicologia e atuar na área é algo que me realiza profundamente. Por isso, preciso me policiar para não me deixar absorver totalmente pela rotina profissional. Para manter esse equilíbrio, organizo minha agenda de forma estratégica, priorizando tanto os compromissos de trabalho quanto os momentos de autocuidado. Sempre reservo tempo para me exercitar, estar com a família, descansar e viajar. Acredito que esse equilíbrio é essencial para sustentar a produtividade e, principalmente, o bem-estar a longo prazo.
Profissionalmente, meu maior sonho é continuar crescendo na minha área e, futuramente, abrir meu próprio espaço de atendimento. Desejo que ele seja auto sustentável a ponto de incluir um setor de filantropia, onde eu possa oferecer apoio psicológico a quem não tem acesso a esse cuidado. No âmbito pessoal, sou apaixonada por viajar e conhecer novas culturas. Sonho em alcançar uma estabilidade financeira que me permita explorar o mundo, viver novas experiências e ampliar minha visão de vida a partir desses encontros
Até hoje, foi conseguir concluir minha primeira graduação em psicologia apesar das dificuldades financeiras.
Sou apaixonada por livros e filmes no geral, mas dois que me marcaram muito foram A Cabana, pela profundidade com que aborda temas como perdão, dor e espiritualidade, e Gladiador, que me inspira pela força, lealdade e resiliência do personagem principal mesmo diante de grandes perdas.
Quanto às mulheres que admiro — além da minha mãe e das minhas avós, que são grandes referências de superação e amor — me inspiro na história de Joana D’Arc. Sua coragem, fé e firmeza em defender suas convicções, mesmo enfrentando julgamentos e riscos extremos, sempre me impressionaram profundamente.