Nossa Mulher Positiva é Renata Malenza, uma das principais vozes femininas do setor de rochas ornamentais no Brasil. Com uma trajetória marcada pela visão estratégica e pelo olhar apurado para design e inovação, ela tem contribuído ativamente para posicionar a empresa como uma das maiores exportadoras de pedras naturais do país — e, mais recentemente, para consolidar a marca Brasigran Home no mercado de arquitetura e decoração de alto padrão.
Desde muito cedo, o universo das pedras já fazia parte da minha vida. Meu pai sempre me levava para a empresa, para as pedreiras — cresci nesse ambiente, observando, aprendendo e me encantando com cada detalhe. Mais tarde, fui estudar fora, busquei me especializar, trabalhei em outras empresas e, com o tempo, senti que era hora de voltar para casa. Em 2005, ingressei oficialmente na Corcovado como diretora de Marketing, mas minha trajetória dentro da empresa passou por diversas etapas. Já estive na recepção, no financeiro. Por isso, gosto de dizer que fui entendendo a empresa por dentro, vivenciando cada setor até chegar à posição que ocupo hoje, integrando a diretoria-geral. Acredito que essa vivência completa fez toda a diferença na minha formação profissional.
A Brasigran adota um modelo de negócios totalmente verticalizado, o que significa que controlamos todas as etapas do processo: da extração das pedras em pedreiras próprias ao beneficiamento em chapas, passando pela entrega final em projetos no Brasil e no exterior, incluindo também peças de mobiliário. Essa estrutura nos permite garantir a qualidade, a exclusividade dos materiais e, sobretudo, a agilidade e a consistência em cada etapa.
Atuamos em diferentes frentes: fornecimento de blocos, chapas, soluções sob medida com o sistema cut to size e, ainda, com a linha Brasigran Home — voltada ao consumidor final, com peças de design autoral disponíveis nas principais lojas do país. Essa atuação diversificada nos permite atender desde grandes construtoras e marmorarias até escritórios de arquitetura e design, tanto no Brasil quanto em mercados estratégicos como Estados Unidos, Europa e Ásia.
Acredito que a vida profissional é feita de ciclos, e cada fase traz seus próprios desafios. Por isso, é difícil apontar um único momento como “o mais difícil”. Trabalhar em um setor tradicionalmente masculino, como o da mineração e da indústria de rochas ornamentais, impõe desafios constantes — especialmente sendo mulher. Muitas vezes, precisamos provar nossa competência duas vezes: para os outros e para nós mesmas. Mas também acredito que são justamente os momentos difíceis que mais nos transformam. Eles nos fortalecem, nos humanizam e nos tornam líderes melhores.
Fiz curso em circo, pós-graduação em arte circense, mas quem disse que eu equilibro? Às vezes, eu também caio. O que aprendi foi a não me cobrar tanto e a me cercar de pessoas em quem confio — tanto no trabalho quanto em casa. Para mim, o equilíbrio está em buscar leveza, humor e autenticidade em tudo que faço, mesmo quando as coisas saem do eixo.
Ser feliz.
Minha maior conquista foi sobreviver — e me destacar — nessa verdadeira selva de pedras dominada por homens, sendo reconhecida como a Rainha das Pedras.
Livro: O monge que vendeu sua Ferrari
Mulheres que admiro: Frida Kahlo, Coco Chanel e Karla Marques (Cimed).