Roberta Veras Antônio

Nossa Mulher Positiva é Roberta Veras Antônio, educadora financeira, treinadora comportamental e mentora, que iniciou sua jornada profissional ainda aos 13 anos na loja do pai. De lá, seguiu para o universo corporativo, passou por grandes marcas e tornou-se referência como empreendedora premiada. Hoje, transforma toda essa experiência em conhecimento aplicado, ajudando pessoas e empresas a mudarem sua relação com o dinheiro e a vida. Sua mensagem é clara: independência financeira não é apenas sobre números, é sobre consciência, propósito e escolhas que constroem futuro com equilíbrio e sustentabilidade.

1. Como começou a sua carreira?

Minha carreira começou onde muita gente nem chamaria de "carreira": atrás de um balcão, aos 13 anos, na loja do meu pai, no centro de Manaus. Enquanto algumas meninas estavam preocupadas com a próxima festa, eu estava preocupada com o troco certo, com cliente satisfeito, com estoque bem-feito. Ali, sem perceber, eu já praticava os primeiros passos da educação financeira e do empreendedorismo real — aquele que nasce do chão, não da teoria.

Depois disso, guiei grupos para a Disney e Venezuela, estagiei de graça em um escritório de contabilidade para aprender mais, fui analista na Coca-Cola e me tornei empresária de três marcas: Chlorophylla, Braccialetto e O Boticário. Foi no Boticário que colhi o reconhecimento, sendo premiada por performance de vendas e gestão. Mas tudo começou com uma adolescente com brilho no olho e coragem para fazer acontecer.

2. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

O mais difícil não foi perder dinheiro; foi quase perder a mim mesma. Foi viver o luto do meu pai e de um filho perdido na estrada devido ao trabalho, passar por um relacionamento abusivo, lidar com pressões externas enquanto internamente eu desmoronava. Já tive que recomeçar do zero, com coragem e fé, muito antes de ter chegado ao topo em vendas no Boticário pela minha categoria. O maior desafio foi resgatar minha essência em meio ao caos.

Mas foi justamente ali, no fundo do poço, que encontrei o que realmente me movia: o propósito de ajudar outras pessoas a não se perderem de si mesmas enquanto buscam seus sonhos. Da dor nasceu meu método, minha força e minha missão. Quero ser uma facilitadora para que as pessoas possam ter uma trajetória mais leve e sem as curvas difíceis que eu tive.

Deus, junto com os meus valores, foi minha bússola para eu não me perder no meio do caminho, nem mesmo devido ao ego que muitas vezes um cargo nos faz ter.


3. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora?

Com presença e propósito. Eu escolho isso e não apenas da boca para fora, mas com ações no dia a dia, e não são pequenas coisas. Eu entendi que não temos que separar a Roberta "empreendedora" da Roberta "pessoa". Sou uma só. Por isso, organizo minha agenda com disciplina, mas com leveza, sabendo, inclusive, dizer não. Coloco meus valores na frente dos resultados.

Aprendi a dizer "não" sem culpa e a respeitar meus limites. Mais do que isso: aprendi que produtividade sem propósito é só exaustão. Hoje, meu negócio tem que fazer sentido com a minha vida, e não o contrário. Esse equilíbrio não é estático, é dinâmico. É uma construção diária entre o que me realiza e o que me sustenta.

4. Qual o seu maior sonho?

Meu maior sonho é ver o Despertar Financeiro e o meu próximo método (que será lançado após o término do meu curso) rodando o Brasil e o mundo como referências em transformação real por meio da educação financeira com autoconhecimento. E não um simples livro de autoajuda.

Não se trata apenas de ensinar as pessoas a lidarem com dinheiro. Eu quero que elas se reconectem com seus valores, com sua história e com sua essência. Que encontrem clareza para viver com mais propósito, independência e sustentabilidade. Quero que entendam que dinheiro é meio, não fim. Que é ferramenta, não prisão.

Esses métodos não nasceram de fórmulas prontas, livros estrangeiros ou palestras de palco. Eles nasceram da minha própria jornada de 39 anos, sendo CLT, depois empresária e até VP da Jucea AM. Da menina de 13 anos que vendia na loja do pai. Da empresária premiada que enfrentou desafios no interior do Amazonas, gerenciando mais de 6 municípios, além de dores como a perda do pai e do filho e o término de um casamento de forma traumatizante, mas que optou por ser protagonista e não vítima, transformando o luto em legado. Da mulher que ousou dizer "sim" a uma nova versão de si mesma, mesmo com medo, mesmo ferida, mesmo cansada.

Esse sonho já está em movimento: o Despertar Financeiro já é reconhecido nacionalmente e tem ganhado espaço fora do Brasil — em Orlando, Portugal e Madri. Mas eu sei que ainda estamos só no começo. Quero transformar a educação financeira em algo acessível, humano e profundamente transformador — que vá além dos números, além das planilhas, além das metas frias.

Quero ensinar pessoas a sonharem de novo, a se posicionarem de forma digna, a viverem com leveza, propósito e coragem. Mais do que qualquer coisa, meu sonho é que cada pessoa que cruze meu caminho entenda que pode, sim, ser protagonista da própria história. Que não precisa viver pela aprovação do outro. Que viver a própria essência é o maior ato de liberdade. E que a paz interior não vem do que se tem, mas de quem se escolhe ser.

5. Qual sua maior conquista?

Minha maior conquista não está nos prêmios, nos rankings ou nos cargos que ocupei. Está na coragem de me levantar todas as vezes em que a vida tentou me quebrar e continuar. Está na graça de Deus, que teve misericórdia de mim até quando eu falhei.

Minha maior conquista é olhar para trás e saber que transformei dor em propósito. Que não empurrei a vida com a barriga. Que abracei o processo de autoconhecimento, mesmo quando ele doeu. Porque crescer dói, mas estagnar dói muito mais.

Conquista, para mim, é ver o brilho nos olhos de um cliente após uma mentoria. Não só porque entendeu de finanças, mas porque se entendeu como pessoa. Porque aqui a gente não fala só de dinheiro, a gente fala de vida, de valor, de essência.

É também ter sido reconhecida como uma das "Melhores do Meu Estado". Não por bajular, não por fazer média, mas por mérito. Porque eu sou fruto de trabalho, não de sorte. E isso, para mim, é uma conquista diária: olhar no espelho e saber que o preço pago está valendo a pena. Honrar meu pai e minha mãe com a vida que eu construo todos os dias e permanecer firme, mesmo quando ninguém vê.

Não adianta conquistar o mundo e perder a própria alma. Não adianta bater metas se a sua fé está fraca. A minha maior conquista é não me perder de mim mesma. É ser leal à minha verdade. É continuar, todos os dias, com fé, gratidão e propósito.

6. Um livro, um filme e uma mulher que você admira:

Livro: A Bíblia. Com a maturidade que a vida me trouxe — na dor, na fé e no recomeço —, eu posso afirmar com convicção que a Bíblia é o livro dos livros. Ela não é apenas um texto religioso. Ela é manual de vida, guia emocional, espelho de caráter, fonte de sabedoria atemporal.

Tudo que a gente precisa está ali: justiça e misericórdia, disciplina e graça. Gestão, liderança, propósito, perdão, sabedoria — está tudo lá. A Bíblia me ensinou a parar de buscar fórmulas mágicas em livros de autoajuda e a me reconectar com o que é eterno. Ela me mostrou que não existe sucesso verdadeiro sem alicerce espiritual e que a verdadeira prosperidade começa dentro da alma e só depois se manifesta nos números.

Filme: À Procura da Felicidade. Esse filme representa o que é ser quebrado por fora, mas inquebrável por dentro. A história é a de muitos de nós: gente que carrega o peso da vida nas costas, mas nunca desiste. Gente que sonha mesmo com lágrimas nos olhos. Gente que escolhe ser pai, mãe, profissional, guerreiro, tudo ao mesmo tempo. Assim como ele, eu também enfrentei momentos em que só eu e Deus sabíamos o peso que estava escondido atrás de um sorriso. Mas, também como ele, eu segui. E sigo.

Mulheres que admiro: Michelle Obama e minha mãe. Michelle Obama representa, para mim, a mulher que sabe o valor que tem, mesmo sendo colocada à prova todos os dias. Ela é forte sem perder a ternura. Inteligente sem ser arrogante. Mostrou ao mundo que é possível ser firme, elegante e influente, tudo ao mesmo tempo. Ela inspira mulheres a assumirem espaços de poder sem precisar se masculinizar ou apagar sua essência.

E se Michelle me inspira pelo mundo que alcançou, minha mãe me inspira pelo mundo que sustentou em silêncio. Ela é o retrato da fé, da ética e da resiliência. Foi ela quem me ensinou a ser firme, mas justa. A trabalhar com excelência, mas com humildade. Foi nela que vi, pela primeira vez, o que é ter fé inabalável. Se hoje sou quem sou, é porque tive essa base. Minha mãe é minha raiz, junto com meu pai, e sou grata por isso.