Nossa Mulher Positiva é Sarita Melo, mãe atípica, empreendedora e ativista pelos direitos das pessoas com autismo.
A idealizadora do Congresso Jornada do Autismo, o maior evento multidisciplinar sobre autismo do Brasil, transformou a dor da exclusão da filha Elisa, hoje com seis anos de idade, em um movimento nacional de conscientização e empoderamento.
De vendedora porta a porta aos 18 anos à líder de um projeto que impacta milhares de famílias, Sarita é o retrato da coragem feminina que não espera por oportunidades — ela as cria.
Eu comecei minha trajetória batendo de porta em porta. Aos 18 anos, já era a melhor vendedora da empresa.
Enquanto muita gente ainda tentava entender o mercado, eu já sustentava a casa(aos 18 anos) com o maior salário e batia metas que homens com anos de experiência não conseguiam alcançar — tudo isso sob o sol forte, sob a chuva, em ônibus lotado.
Eu não tinha manual, não tinha atalhos, não tinha sobrenome importante. O que eu tinha era algo simples e, ao mesmo tempo, raro: eu não tinha medo.
O momento mais difícil foi quando minha filha recebeu o diagnóstico de autismo, aos 1 ano e 6 meses.
Eu parei tudo para me dedicar a ela. Foram dois anos intensos entre terapias, clínicas e aprendizados sobre amor, paciência e presença.
Foi um tempo de pausa profissional, mas de imenso crescimento humano.
Aprendi a enxergar o mundo pelos olhos dela — e isso transformou completamente minha forma de liderar, trabalhar e viver.
Hoje sei que nenhuma conquista é maior do que lutar por quem a gente ama.
Equilibrar vida pessoal, corporativa e empreendedora é uma busca constante — e, às vezes, impossível.
Eu desequilibro o tempo todo: erro, me culpo, conserto e recomeço.
Aprendi que não existe equilíbrio perfeito, existe presença.
Quando estou com minha filha, sou mãe por inteiro.
Quando estou trabalhando, sou empreendedora por inteiro.
E, quando erro, lembro que a vida real é feita disso: de recomeços.
Meu maior sonho é deixar um legado que vá além da minha história.
Eu sonho com um Brasil onde nenhuma criança autista seja recusada em uma escola, onde nenhuma mãe precise implorar por atendimento, e onde a ciência caminhe de mãos dadas com a empatia.
A Jornada do Autismo, que vai para a sua terceira edição, em 2026, no Rio de Janeiro, nasceu desse sonho — e hoje é muito mais do que um congresso: é um movimento vivo, um grito coletivo por respeito, acolhimento e acesso.
Quero que cada mãe encontre força onde eu encontrei dor, e que cada profissional veja, no autismo, uma oportunidade de transformar vidas.
Esta é a minha jornada. Mas também é a de tantas outras mães que só não aprenderam a desistir.
A minha maior conquista foi transformar propósito em impacto real.
Organizo hoje o maior congresso sobre autismo do Brasil, me tornei referência em gestão e na área comercial, e tive a honra de atuar na construção da Lei 14.454/22, que beneficia mais de 50 milhões de pessoas que utilizam plano de saúde.
Essas conquistas mostram que, quando a gente une coragem, propósito e trabalho, o impossível deixa de existir.
O livro e o filme que mais me marcaram foi “Os Garotos da Minha Vida”, que conta a história de uma jovem que precisa amadurecer cedo e se reinventar.
Me identifico muito, porque também fui mãe aos 15 anos.
Cresci junto com meu filho e aprendi, na marra, a equilibrar maternidade e sonhos.
A maternidade me amadureceu e me deu força pra vencer — por mim e pelos meus filhos.
Admiro profundamente três mulheres: Berenice Piana, que transformou dor em propósito e me inspirou a atuar na defesa dos direitos das pessoas com deficiência; Fernanda Torres, pelo profissionalismo, autenticidade e inteligência; e Natália Beauty, pela visão empreendedora e coragem de transformar sonhos em realidade.