Nossa Mulher Positiva é Liliane Fernandes Moreira, fundadora de um ecossistema de inclusão que vem transformando a forma como o Brasil enxerga acessibilidade, neuro divergência e impacto social. Publicitária, psicóloga em formação e especialista em políticas públicas — além de irmã, mãe e filha atípica —, Liliane transformou dores pessoais em propósito. Ela criou a Caminho Atípico, a Atypia e a Vínculo Atípico, iniciativas que unem inclusão, tecnologia assistiva, capacitação e acolhimento para tornar a sociedade mais humana, preparada e verdadeiramente acessível.
Minha trajetória começou muito antes do empreendedorismo. Durante anos, construí minha carreira no ambiente corporativo: foram 12 anos na LATAM Airlines, atuando no atendimento ao cliente e suporte à vice-presidência como secretária executiva, além de 13 anos assessorando a presidência de um dos maiores grupos de turismo do Brasil, o Grupo Águia.
Mas a minha verdadeira conexão com a inclusão nasceu da vida.
Sou irmã, filha e mãe atípica. Cresci vendo minha mãe enfrentar, muitas vezes em silêncio, desafios intensos ao lado da minha irmã, que tem epilepsia. Depois, vivi anos acompanhando internações complexas do meu pai, que faleceu em 2016. Mais tarde, já como mãe, enfrentei os desafios respiratórios da minha filha ainda pequena e, posteriormente, questões ligadas à neuro divergência.
Foi nesse processo que percebi — inicialmente de forma inconsciente — o quanto famílias, escolas, empresas e a própria sociedade ainda não estavam preparadas para acolher verdadeiramente pessoas neuro divergentes e com deficiência.
Então, transformei a dor em propósito.
Comecei estruturando o projeto da plataforma e construindo uma base voltada ao acolhimento, capacitação e inclusão de famílias atípicas. Nesse processo, o Rodrigo Barros, que possui uma sólida trajetória na área executiva, uniu-se a mim para somar na construção estratégica e estrutural do ecossistema.
Foi assim que nasceram a Caminho Atípico, a Atypia e a Vínculo Atípico: iniciativas que unem inclusão, tecnologia, educação e impacto social para tornar a sociedade mais acessível e humana.
A Caminho Atípico nasceu como uma empresa de impacto social e hoje atua dentro de um ecossistema completo de inclusão no mercado B2B. Trabalhamos com treinamentos corporativos, auditorias, consultorias e certificação sensorialmente inclusiva para empresas, aeroportos, escolas, hotéis e eventos. Somos pioneiros no Brasil na certificação de ambientes sensorialmente inclusivos.
Além disso, desenvolvemos a Atypia, a primeira tecnologia assistiva 100% inclusiva do Brasil, com dispositivos inteligentes que auxiliam na segurança, comunicação e acessibilidade em momentos de emergência ou necessidade de suporte.
Também estamos lançando a Vínculo Atípico, uma plataforma completa voltada ao acolhimento, orientação e capacitação de famílias atípicas em todo o Brasil. Nosso modelo une impacto social e tecnologia prática, porque acreditamos que a inclusão precisa sair do discurso e acontecer na vida real.
Sem dúvida, foi começar praticamente do zero enquanto ainda conciliava a vida corporativa, os estudos, a maternidade e a insegurança natural de iniciar um novo caminhar.
Empreender na área da inclusão no Brasil é extremamente desafiador. Muitas vezes precisei abrir caminhos onde eles ainda nem existiam. Em alguns momentos, ouvi que inclusão era “gasto”, e não investimento. Equilibrar maternidade, vida emocional e a construção de empresas de impacto exige muita força, resiliência e coragem.
Mas as dores que vivi me deram a sensibilidade necessária para construir algo verdadeiro. Hoje, ver nosso ecossistema ganhando força e impactando tantas vidas é emocionante. Sabemos que há um longo caminho pela frente, mas seguimos com a certeza de que estamos no rumo certo.
Ainda estou aprendendo. Acho que mulheres empreendedoras, principalmente mães, vivem esse desafio diariamente. O que tento lembrar constantemente é que o sucesso não pode custar nossa saúde emocional. Busco criar momentos de pausa, conexão com minha família e cuidado com minha espiritualidade e saúde mental. Aprendi que equilíbrio não significa fazer tudo perfeitamente, mas entender as prioridades de cada fase e respeitar os próprios limites.
Transformar o Brasil em uma referência real de inclusão prática e acessível. Quero que a inclusão deixe de ser apenas discurso e passe a fazer parte da experiência das pessoas em todos os lugares: aeroportos, escolas, hospitais e espaços públicos. Hoje temos leis importantes, mas muitas ainda não são colocadas em prática. Meu sonho é ajudar a transformar essa realidade e mostrar que inclusão não é favor, é dignidade. Também sonho em expandir nossas tecnologias para impactar famílias no mundo todo.
Perceber que aquilo que nasceu da dor hoje ajuda outras pessoas. Receber mensagens de mães dizendo que se sentiram acolhidas e ver empresas transformando sua visão me emociona profundamente. Saber que a Atypia já está presente em mais de 500 municípios brasileiros — e sendo solicitada em outros países da América Latina — é motivo de muito orgulho. Mas a maior conquista foi transformar minha vivência em propósito sem perder minha essência humana.
Livro: “Em Busca de Sentido”, de Viktor Frankl. Ele mostra que, mesmo nos momentos mais difíceis, podemos encontrar um propósito e um novo sentido para o viver.
Filme: “À Procura da Felicidade”, pela mensagem de perseverança e resiliência diante das dificuldades.
Mulher que admira: Maria da Penha, pela força e coragem ao transformar a própria dor em uma luta histórica pelos direitos das mulheres e pela inclusão social.
Frase que levo para a vida: "Meu maior sonho é viver em um mundo onde a inclusão seja algo natural, e não uma luta diária."