Nossa Mulher Positiva é Ignez Prado, brasiliense criativa, designer e gestora, ela já morou em quatro países diferentes, sete cidades e atualmente encontra-se de volta na capital do Brasil. Apaixonada por economia criativa e impacto positivo, ela nos conta como iniciou a sua trajetória e os caminhos que a fizeram escolher trabalhar atualmente com criatividade e impacto.
Desde pequena pensava em fazer algo que contribuísse de alguma forma para a vida das pessoas. Me formei em Desenho Industrial com habilitação em Projeto de Produto na FAAP em São Paulo há quase 20 anos atrás e nessa época já tinha muito interesse em sustentabilidade. Durante a faculdade, estagiei no Carlos Miele como assistente de design de estamparia e essa vaga acabou me rendendo mais dez anos como designer de estamparia e diretora criativa na indústria têxtil em São Paulo e Rio de Janeiro para marcas de moda e estamparias como Kalimo e Berlan. Depois de alguns anos de indústria da moda, me senti longe do meu desejo de infância e após algumas crises de pânico vivendo em São Paulo, resolvi me mudar para Austrália. Na Austrália tive a oportunidade de trabalhar quase dois anos com uma naturopata que havia criado uma marca própria de superalimentos. Foi nessa época que reencontrei o meu desejo de trabalhar com mais propósito, ajudar as pessoas nas suas questões de saúde e bem-estar me realizava muito. A maioria dos nossos clientes eram pacientes oncológicos ou imunodeficientes. Por questões pessoais, resolvi ir para Portugal onde fiz pós-graduação em Gestão e Marketing durante a pandemia para me dar uma bagagem mais empreendedora e comecei a focar também os meus estudos em Criatividade. Essa trajetória me deu base para fundar um Hub de Criatividade chamado Creativ.us, com foco em projetos, conteúdo, cursos, mentorias e outros, voltados para criatividade e economia criativa com impacto positivo.
Com certeza foi ter largado o mundo da estamparia quando eu estava muito bem estabilizada profissionalmente e financeiramente. No entanto, mentalmente eu vivia a pior fase da minha vida. Não me reconhecia onde eu estava, comecei a questionar a mim e tudo a minha volta. As crises de pânico vieram nessa época e a minha carreira parou de fazer sentido para mim. O mundo da moda pode ser bem cruel, meio consumista, e como criativa você tem pouca liberdade para criar de fato, no final das contas a maior parte é sobre seguir tendências e isso já não me dava mais o menor prazer. Acabou virando um trabalho sem propósito e longe do que eu realmente queria ter feito. Apesar de libertador, essa mudança drástica foi uma das fases mais difíceis e de maior aprendizado na minha vida e carreira. Ainda está sendo. Começar uma carreira nova depois de 10 anos e voltar para o Brasil após seis anos fora tentando se inserir e cocriar num mercado relativamente novo aqui, economia criativa com impacto positivo, é muito desafiador.
Olha, não sei se consigo equilibrar muito bem, nesse momento em que me encontro preciso tentar focar ao máximo as minhas energias no que quero construir para o meu futuro. Apesar de estar trabalhando bastante, me sinto muito realizada, agora os meus esforços fazem mais sentido e me trazem uma sensação de concretude, como se eu tivesse reencontrado o meu propósito. Algumas práticas e atividades me ajudam muito a me manter centrada, mais tranquila e focada. Por exemplo, atividades físicas como prática de movimento e yoga, meditação, tempo longe das telas, o máximo possível, andar de bicicleta, ir a exposições, shows, ficar na natureza, ler, criar só por criar, participar da vida de forma ativa e não apenas como espectadora, me ajudam demais.
O meu maior sonho é melhorar o mundo cada vez mais criando projetos inovadores na economia criativa com impacto positivo social, ambiental e econômico.
Não sei se tenho uma maior conquista específica, mas uma delas foi ter conquistado a minha independência desde nova através da economia criativa, ser designer sempre me garantiu essa independência. Atualmente, em 2025, as duas maiores conquistas, porque tiveram algumas, foram: ter dado uma mentoria de Criação e Gestão de Projetos para comunidades afetadas pelo desastre ambiental em Brumadinho, e realizado a primeira edição da Feira Creativ.as, uma feira voltada para mulheres empreendedoras da Economia Criativa.
No momento estou lendo dois livros, O Tao da Física e A Breve Vida Das Flores, mas um livro que eu indicaria para quem quer reler, ou ler, é o Ócio Criativo que é super atual, apesar de ter sido escrito em 1995, quando falamos de trabalho e criatividade hoje em dia. Um filme que me vem a memória sempre e que eu gostei demais porque permeia muito a criatividade, o surrealismo e o autoconhecimento, é o Pobres Criaturas. Recentemente, assisti O Agente Secreto e gostei bastante. Não posso deixar de mencionar também, Ainda Estou Aqui, que filme forte, belíssimo e muito necessário. Uma mulher que eu admiro demais é a Camila Pitanga.