Nossa Mulher Positiva é Andrea Moreira, sócia-diretora da Yabá Consultoria. Especializada no “S” (social) do ESG, em Leis de Incentivo e em campanhas de conscientização social. O nome da empresa tem origem iorubá, que é uma referência às mulheres gentis e prósperas que transformam a sociedade.
Minha trajetória profissional começou na área de comércio exterior, onde atuei durante dez anos em um laboratório de fitoterápicos. Esse período me deu uma visão ampla sobre negócios, processos e relações internacionais. No início dos anos 2000, migrei para o Banco Real para integrar um projeto de global sourcing. Poucos meses depois, fui convidada a apoiar iniciativas ligadas à Responsabilidade Social — tema que ainda estava engatinhando nas empresas e que, à época, nem possuía uma diretoria formalmente constituída.
Meu primeiro grande desafio foi estruturar programas voltados para comunidades e fornecedores, inspirados pelos indicadores Ethos. Criamos, por exemplo, um projeto de alfabetização para trabalhadores terceirizados, que rapidamente se tornou referência interna. Com o sucesso da iniciativa e a formalização da Diretoria de Sustentabilidade, fui convidada a migrar definitivamente para a área, consolidando ali minha transição de carreira.
Desde então, já são três décadas dedicadas às agendas socioambientais — que evoluíram de Responsabilidade Social para Sustentabilidade e, hoje, ESG. Meu foco sempre foi e continua sendo o “S”, conectando impacto social à estratégia de negócio.
A Yabá nasceu com o propósito de conectar empresas, organizações sociais e governos para fortalecer políticas públicas e gerar impacto onde ele realmente transforma vidas. O modelo de negócios se estrutura em três núcleos principais.
Sem dúvida, a transição da CLT para o empreendedorismo foi o momento mais desafiador. É um movimento que exige coragem, desapego e a capacidade de começar do zero — e, ao mesmo tempo, confiar na própria história. Eu sabia que tinha experiência, repertório e propósito, mas percebi que nenhuma transformação acontece sozinha.
Construir a Yabá foi um processo intenso, cheio de incertezas, mas também de descobertas. Hoje vejo que valeu cada passo: meu trabalho ganhou ainda mais sentido e atualmente lidero três empresas que atuam de forma complementar, todas conectadas pelo mesmo propósito de gerar impacto positivo na sociedade.
Eu gosto de trabalhar — e isso diz muito sobre como enxergo a minha vida profissional. O que me move é ver o impacto social real dos projetos que ajudamos a construir. Com o tempo, aprendi a delegar e a focar apenas nas atividades em que sou realmente insubstituível.
Mas este ano vivi uma virada importante: iniciei o processo de adoção de uma criança de três anos. Ser uma mãe 50+ transformou completamente minha rotina e minhas prioridades. Precisei reorganizar agendas, repensar entregas e, acima de tudo, aprender a gerir meu tempo de uma maneira muito mais humana, real e consciente. Hoje, eu escolho onde estar — e isso tem sido libertador.
Neste momento, meu maior sonho está ligado à minha vida pessoal. A maternidade por adoção chegou para mim como um novo começo — inesperado, maduro e profundamente transformador. Todos os meus planos estão voltados para construir essa nova família, com afeto, presença e propósito.
Tenho muitas conquistas importantes ao longo da carreira, mas uma delas ocupa um lugar especial: o primeiro programa social que criei, aos 27 anos, no banco em que trabalhava. O projeto segue ativo até hoje, é referência nacional e recebeu premiações da Câmara Americana e do Príncipe de Gales.
Saber que algo que desenvolvi no início da minha trajetória continua impactando milhares de crianças é a maior prova de que, quando faço algo, faço com dedicação absoluta — e deixo um legado que supera ciclos e cargos.
Eu admiro profundamente mulheres como Jane Fonda, Ana Maria Braga, Zezé Motta e Bruna Lombardi. Todas elas, já na casa dos 70 e 80 anos, continuam ativas, inspiradoras, ousadas — e abriram caminhos para gerações inteiras. São mulheres que integram carreira, vida pessoal, sexualidade, beleza, maturidade e coragem sem pedir licença.
Livro: "Mulheres que Correm com os Lobos", uma obra essencial para quem deseja compreender a força do feminino.
Filme: “Se Eu Fosse Você”, com Glória Pires e Tony Ramos — um convite divertido e profundo para se colocar no lugar do outro e repensar as relações.