Nossa Mulher Positiva é Amanda Brum, uma das principais executivas de comunicação e marketing do mercado financeiro. À frente da comunicação da Anbima, ela fala sobre os desafios da trajetória profissional, as escolhas que moldaram sua carreira e a importância de estabelecer prioridades entre vida pessoal e trabalho.
Eu iniciei minha carreira como repórter, na agência experimental de jornalismo da minha faculdade. Depois, participei do primeiro programa de trainee do Diário do Grande ABC e fiz o curso de focas do Estadão, que foi o primeiro grande divisor de águas da minha carreira. A partir dali, trabalhei por alguns anos em redação, até migrar para agências e iniciar minha trajetória na comunicação corporativa.
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) é uma associação sem fins lucrativos que reúne praticamente todos os players dos mercados financeiro e de capitais. Nós existimos para representar e autorregular o setor. Meu desafio, como principal executiva de comunicação e marketing da casa, é trabalhar não apenas pela Anbima, mas, principalmente, pelos mercados que representamos.
Foi quando entrei na Anbima e enfrentei uma resistência muito grande do time que herdei. Fui contratada com o desafio de criar a área de marketing, que, até então, se restringia basicamente à realização de eventos. As pessoas que estavam ali resistiram às mudanças que se faziam necessárias e começaram a me boicotar.
Foi muito difícil, porque colocou em xeque minha capacidade de gestão, que, até aquele momento, era reconhecidamente uma das minhas principais fortalezas profissionais. Minha autoestima ficou no chão. A Anbima me disponibilizou um coach, que foi o segundo grande divisor de águas da minha carreira. Ele me fortaleceu e me ajudou a me reerguer.
Fiz os ajustes de time que eram necessários e abri caminho para construir uma área que me permitiu, alguns anos depois, lançar campanhas emblemáticas, como “No Fundo Você Pode” e “Muito Além da Faria Lima, o mercado de capitais que move o Brasil”, além de iniciativas pioneiras como o Finfluence.
Para mim, os papéis se misturam o tempo todo, porque sou uma única pessoa. Dizer que consigo separar perfeitamente a mãe, a mulher e a executiva seria hipocrisia da minha parte.
O meu segredo para manter minha saúde mental em dia e garantir alta performance nas entregas é estabelecer limites a partir daquilo que considero prioridade. E aprendi a tomar decisões norteadas por esses limites sem sofrer.
Por exemplo, não abro mão da minha terapia, do meu treino diário e de ter tempo de qualidade com meu filho. Por diversas vezes, saí do escritório, cuidei dele, brinquei e, depois de colocá-lo para dormir, “voltei ao batente”. É preciso saber flexibilizar.
Ver meu filho crescer, ser independente e, depois, poder viajar o mundo.
Ser mãe. Por mais prêmios e reconhecimentos que eu já tenha recebido na vida executiva, nada jamais vai superar o que sinto sendo mãe e o orgulho que tenho de estar criando um ser humano bom, que possa contribuir para um mundo melhor.
Vou fugir do óbvio e indicar um livro que não seja corporativo. Afinal, leitura, para mim, é prazer e relaxamento. Recomendo a série “As Sete Irmãs”, da Lucinda Riley. É uma obra que faz você viajar pelo mundo e mergulhar na profundidade psicológica dos personagens. Eu amei.
“O Diabo Veste Prada”, por mais raso que possa parecer à primeira vista, é um filme que todo mundo deveria assistir com outros olhos. Ali há lições de gestão, gerenciamento de crise e conflitos muito valiosas para quem vive o mundo corporativo.
E, se me permite acrescentar mais uma sugestão, para quem quer desenvolver habilidades de liderança e empreendedorismo, a série “Chef’s Table”, da Netflix, é imperdível. Ela traz histórias de grandes chefs de cozinha que são verdadeiras aulas de gestão.
Eu admiro demais a Oprah Winfrey como mulher, empreendedora, comunicadora e influenciadora. Adoraria ter a oportunidade de tomar um happy hour com ela e ter uma daquelas conversas das quais a gente sai muito mais rica em conhecimento e experiência do que entrou.