Nossa Mulher Positiva é a Dra. Karoline Prado, ginecologista em Joinville (SC) que transforma a vida de dezenas de mulheres com empatia, acolhimento e informação sobre a saúde íntima feminina.
Minha carreira começou muito antes de eu receber meu diploma de Medicina. Ela começou no sonho de uma menina do interior do Paraná que acreditava que poderia transformar vidas por meio do cuidado.
Sempre fui apaixonada por pessoas, por histórias e pelo impacto que a saúde tem na vida de alguém, principalmente por viver isso dentro da minha própria casa, através da minha mãe. A Medicina me encantou porque ela une ciência e humanidade. Ao longo da formação, descobri na Ginecologia e Obstetrícia uma paixão: acompanhar mulheres nos momentos mais importantes, delicados e transformadores de suas vidas.
Construí minha trajetória com muito estudo, dedicação e inúmeras renúncias. Foram anos de plantões, noites sem dormir, desafios e aprendizados. Mas também foram anos em que tive o privilégio de participar de nascimentos, oferecer acolhimento em momentos difíceis e ajudar mulheres a recuperarem sua saúde, sua autoestima e sua qualidade de vida.
Hoje, além da atuação médica, também empreendo e realizo trabalhos voluntários, buscando constantemente novas formas de levar conhecimento, cuidado e impacto positivo para mais pessoas. Minha carreira é resultado de muito trabalho, mas principalmente da convicção de que servir ao próximo é uma das formas mais gratificantes de realização.
A Medicina nos ensina que nem sempre teremos o controle de tudo. Acredito que os momentos mais difíceis da minha trajetória foram justamente aqueles em que, apesar de todo o conhecimento, dedicação e esforço, precisei lidar com o cansaço extremo, a dor, a perda e a frustração de pacientes.
Quem escolhe cuidar de pessoas também aprende a carregar histórias no coração e a seguir em frente mesmo quando o corpo ou a mente desejam parar. Existem situações em que a ciência tem limites e nas quais precisamos oferecer algo tão importante quanto um tratamento: presença, empatia e acolhimento.
Olhando para trás, percebo que os momentos mais difíceis foram também os que mais me fortaleceram, principalmente durante a residência médica. Eles me ensinaram que a competência é fundamental, mas a humanidade é indispensável. E que crescer não significa nunca cair, mas continuar avançando.
Acredito que o equilíbrio não é sobre fazer tudo perfeitamente. É sobre entender as prioridades em cada fase da vida.
Por muitos anos, pensei que equilíbrio significava dividir meu tempo igualmente entre todas as áreas. Hoje, entendo que equilíbrio é estar verdadeiramente presente onde estou. É como ensino para as minhas pacientes: todas as áreas da nossa vida são como pratos girando no topo da vareta de um malabarista; eles nunca estarão girando ao mesmo tempo, mas o mais importante é não deixar nenhum desses pratos cair.
Quando estou atendendo uma paciente, procuro entregar o meu melhor. Quando estou com meu marido, minha família ou meus amigos, procuro estar inteira naquele momento. Nem sempre é fácil, e existem dias em que os desafios profissionais exigem mais e outros em que a vida pessoal precisa ocupar o primeiro lugar.
Também aprendi que cuidar de mim não é um luxo, mas uma necessidade. Para cuidar de tantas pessoas, preciso preservar minha saúde física, emocional e espiritual. O segredo não está em fazer tudo. Está em fazer o que realmente importa com propósito, consciência e amor.
Meu maior sonho é construir um legado de amor.
Mais do que reconhecimento profissional, desejo que minha trajetória deixe marcas positivas na vida das pessoas que cruzarem meu caminho. Quero que minhas pacientes se sintam acolhidas, respeitadas e fortalecidas. Quero inspirar outras mulheres a acreditarem que podem ocupar espaços de liderança sem abrir mão de sua essência.
Também sonho em expandir meu impacto por meio da educação, levando conhecimento para muito além do consultório e ajudando mulheres a terem mais autonomia sobre sua saúde e suas escolhas. No final da vida, espero poder olhar para trás e perceber que fiz diferença. Que amei, servi, ensinei e contribuí para tornar a vida de alguém um pouco melhor.
Minha maior conquista não é um cargo, um título ou um patrimônio. Minha maior conquista é ter construído uma vida alinhada aos meus valores e não ter perdido minha essência nesse caminho.
É acordar todos os dias sabendo que trabalho com aquilo que amo e poder dormir com o sentimento de paz, sabendo que fiz minha parte nesse mundo às vezes tão triste e tão difícil. Também é ver a confiança das minhas pacientes crescendo. É perceber que, através da Medicina, consigo aliviar dores, devolver esperança, melhorar a qualidade de vida, trazer propósito e participar de histórias que jamais serão esquecidas.
Considero, ainda, uma grande conquista ter aprendido que o sucesso não precisa vir acompanhado do sacrifício de quem somos. Hoje, me orgulho de continuar cultivando minha fé, meus relacionamentos e meus princípios enquanto construo minha carreira.
As conquistas mais importantes são aquelas que não cabem em currículos. Elas vivem nas vidas que tocamos, e isso é o que mais traz felicidade na Ginecologia e Obstetrícia.
Livro: “A Coragem de Ser Imperfeito”, de Brené Brown. Aprendi que a vulnerabilidade não é uma fraqueza. É justamente a coragem de ser autêntico que cria conexões verdadeiras e nos permite crescer.
Filme: “Gênio Indomável”. É uma história que me marcou porque mostra que inteligência e talento, por si só, não são suficientes. Todos nós carregamos inseguranças, feridas e desafios invisíveis. O filme fala sobre o poder da empatia, dos mentores e das pessoas que acreditam em nós quando ainda não conseguimos acreditar em nós mesmos. Como médica, vejo diariamente como o acolhimento, a escuta e o incentivo podem transformar vidas.
Mulher que admiro: Florence Nightingale. Embora não seja médica, revolucionou o cuidado humano. Ela enxergava além da doença e compreendia a importância de cuidar da pessoa como um todo. Isso sempre me inspira na prática médica.