Laura Torrezan - Mulheres Positivas

Laura Torrezan

Nossa Mulher Positiva é Laura Torrezan, psicanalista, professora de meditação e mestre de cerimônias do chá. Ela transformou sua própria busca por equilíbrio em uma missão de vida: oferecer caminhos de autocultivo, autoconhecimento, presença e bem-estar. Hoje, une conhecimento, espiritualidade e sensibilidade para ajudar pessoas a desacelerar e encontrarem a si mesmas.

1. Como começou a sua carreira?

Minha trajetória começou na área da saúde mental, como psicanalista. Sempre fui fascinada pela escuta e pelo universo humano. Ao longo dos anos, fui ampliando minha formação com a meditação e, mais tarde, com o Caminho do Chá. Essas práticas não substituíram a psicanálise; elas enriqueceram minha compreensão sobre o cuidado e o autocultivo.
Foi nesse caminho que o chá entrou na minha vida. O que começou como um interesse pessoal tornou-se uma profunda prática diária. Aprofundei minha formação em meditação, yoga e no Caminho do Chá estudando no Brasil, na China, na Índia, na África do Sul, em Taiwan e na Tailândia. Hoje, empreendo levando cerimônias do chá, workshops e experiências que unem tradição, atenção plena e cuidado, ajudando as pessoas a encontrarem um espaço de silêncio e reconexão em meio à correria da vida.

2. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

O momento mais desafiador foi compreender que minha carreira precisava acompanhar a pessoa que eu estava me tornando. Passei por mudanças importantes, vivi um período de luto, enfrentei transformações pessoais profundas e percebi que já não fazia sentido trabalhar apenas no ritmo da produtividade.
Foi preciso coragem para mudar de direção, deixar algumas certezas para trás e construir um trabalho mais alinhado com meus valores. Hoje vejo que essa travessia foi justamente o que deu autenticidade ao meu propósito.

3. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal e a vida empreendedora?

Aprendi que equilíbrio não é dividir o tempo igualmente, mas viver com coerência. O chá me ensinou que a forma como fazemos uma coisa é a forma como fazemos todas as coisas.
Procuro levar para o trabalho a mesma presença que cultivo em casa: fazer pausas, respeitar meus limites, estar com minha família, caminhar na natureza e reservar diariamente um tempo para minha prática de meditação e para uma xícara de chá. Esses pequenos rituais sustentam tudo o que faço.

4. Qual é o seu maior sonho?

Meu maior sonho é contribuir para uma cultura que valorize mais a presença do que a pressa. Quero que cada vez mais pessoas descubram que cuidar de si não é um luxo, mas uma necessidade.
Também sonho em publicar meu livro sobre o Caminho do Chá e ampliar esse movimento, levando essa prática para empresas, escolas, clínicas e comunidades.

5. Qual é a sua maior conquista?

Minha maior conquista é perceber que meu trabalho transforma vidas de maneira simples e profunda. Ver alguém chegar acelerado, ansioso ou emocionalmente sobrecarregado e sair de uma cerimônia mais presente, mais leve e mais conectado consigo mesmo é um privilégio. Também considero uma grande conquista ter criado um trabalho que reflete quem eu sou. Hoje sinto que vivo aquilo que ensino.

6. Livro, filme e mulher que admira.

Livro: Silêncio: O poder da quietude num mundo barulhento, de Thich Nhat Hanh.
Filme: A Odisséia — vejo nesse filme uma metáfora profunda da jornada interior, semelhante ao processo analítico: um caminho de desafios, encontros e transformações que nos conduzem de volta a nós mesmos, com mais consciência e maturidade.
Mulher que admiro: Admiro profundamente minha irmã, Silvana. Ela me ensinou, com a própria vida e, principalmente, com sua morte, o significado da coragem. Mesmo diante da finitude, não perdeu a doçura, a serenidade nem a capacidade de amar. Soube desapegar e nos libertou para seguirmos nossas vidas com liberdade e felicidade, sem culpa. Sua forma de partir foi uma das maiores lições que já recebi sobre amor, presença e generosidade.