Layla Barreto - Mulheres Positivas

Layla Barreto

Nossa Mulher Positiva é Layla Barreto, idealizadora da Body Fitter RJ, empresa que ressignificou o mercado de ajustes e consertos de roupas através do atendimento domiciliar. Layla transformou um serviço utilitário em uma experiência premium de "conveniência radical", provando que, por meio da otimização logística, é possível entregar valor real a clientes que entendem que o tempo é o novo luxo.

1. Como começou a sua carreira?

Identifiquei uma brecha no mercado e decidi empreender após passar pelo roteiro tradicional: faculdade de Administração, diversos cursos e até uma aprovação na Polícia Militar do Estado de SP. Próximo aos 30 anos, vi-me em um "abismo", onde o currículo estava cheio, mas o propósito, vazio. Decidi pausar e ouvir minha essência. Comecei empreendendo com velas artesanais, mas logo percebi que precisava de algo que unisse minha capacidade de gestão à minha paixão pelo sensorial.
Foi quando resgatei um gosto peculiar: tecidos. Inscrevi-me em um curso de corte e costura, uni o útil ao agradável e decidi me reinventar, migrando da área administrativa para a comercial. A virada de chave veio no "chão de loja". Trabalhando em shoppings e galerias, vivi a realidade do cliente: as cabines apertadas, as filas, a falta de transparência nos preços e o tempo perdido em esperas. Naquele momento, percebi que não era apenas uma vendedora; eu era uma empreendedora formatando uma solução. Com o apoio vital do meu marido, família e amigos, transformei esse mix de experiências e o medo do desconhecido na coragem necessária para deixar o varejo tradicional e me tornar a solução na porta do cliente. Assim nasceu a Body Fitter RJ.

2. Como é formatado o modelo de negócios da Bodyfitter Club?

A criação do clube traduz uma visão que vem orientando a Body Fitter desde o início: o serviço precisa acompanhar a vida do cliente, tem que estar disponível quando ele abrir a porta ou a gaveta do armário e não o contrário. Hoje, tempo é um dos maiores ativos de quem busca uma experiência de alto padrão. Por isso, mais do que executar um ajuste ou conserto, buscamos eliminar etapas, facilitar o acesso e construir uma relação contínua com o cliente.
O Bodyfitter Club nasce justamente dessa mudança de perspectiva. Não modernizamos a costura. Modernizamos a experiência.Transformamos um serviço que tradicionalmente é pontual em uma experiência contínua, com acesso facilitado, benefícios recorrentes, previsibilidade e atendimento pensado para a rotina do cliente.
A Body Fitter continua oferecendo ajustes e consertos de forma avulsa, mas o clube representa uma nova maneira de acessar esse serviço: o cliente não contrata apenas um serviço; passa a ter acesso a ele dentro de uma experiência de relacionamento contínuo.
Para nós, esse é um passo importante na evolução do segmento: levar para os ajustes e consertos de roupas um "olhar premium" de valorização, com os mesmos princípios de conveniência, personalização e experiência que já fazem parte de outros serviços.

3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

O momento mais desafiador foi o "olho do furacão" na transição para o empreendedorismo. Eu trabalhava em uma situação precária, sem benefícios e em um ambiente sem estrutura adequada — muitas vezes, as refeições eram feitas em meio a sacos de retalhos. Embora tivesse estabilidade relativa por ser eficiente, aquela realidade estava longe do que eu projetava para o meu futuro.
O maior desafio foi reunir coragem para deixar esse "porto seguro" limitador para caminhar no escuro. Começar a Body Fitter RJ do zero absoluto, sem um único cliente, foi um teste de resiliência. Tive que transformar a indignação que sentia em combustível para construir minha própria autoridade e provar que era possível mudar de vida.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal e a vida empreendedora?

Manter o equilíbrio em um negócio híbrido — que transita entre a estratégia digital e o atendimento itinerante — exige que minha agenda seja minha bússola. Tenho horários definidos para prospecção e criação, entendendo que empreender exige constância. Como válvula de escape, pratico jiu-jitsu, que ajuda a manter a disciplina e o foco.
A parte fundamental do negócio vem da forma como estruturei minha rede de produção. Ao optar por não ter um ateliê físico próprio, decidi fomentar o trabalho de costureiras que já possuem estrutura em casa. Enxerguei uma problemática invisível: profissionais da "velha guarda", com décadas de experiência, submetidas a condições precárias em grandes centros. Atuo como a ponte que conecta o luxo da conveniência à valorização real dessas artesãs. Ao respeitar o espaço de trabalho delas, eu reeduco o mercado: mostro que o ajuste não é apenas um "pontinho na barra", mas uma herança técnica. Equilibrar minha vida é, também, ter a paz de saber que a Body Fitter RJ gera impacto social e devolve dignidade a mulheres que a indústria do fast fashion tentou invisibilizar.

5. Qual seu maior sonho?

Consolidar a Body Fitter RJ como a principal referência em ajustes domiciliares. Busco parcerias com administradoras de condomínios para levar essa curadoria para dentro de grandes complexos residenciais de forma oficial. Mas o que mais me motiva é o desenvolvimento do nosso aplicativo. Ele será o coração de uma revolução no setor, conectando a demanda dos clientes ao talento de costureiras que desejam liberdade e autonomia, permitindo que utilizem sua própria expertise em uma escala livre de trabalho.
Também tenho sonhos que vejo como inspirações: conhecer a estrutura da Fashion Week para entender as mãos que dão vida às peças e explorar o acervo de figurinos da Globo, que vejo como um armário de possibilidades infinitas para entender como a mente do figurinista traduz o contexto da obra no visual.

6. Qual sua maior conquista?

Minha coragem. Pode parecer clichê, mas ver-me empreendendo hoje mostra o quanto evoluí. Ver que cada passo me leva a um resultado que ajuda a lapidar o negócio é o que me faz sentir vitoriosa. Eu entendi que, por mais que tenha apoio, o resultado depende de mim.
Conquistar essa coragem foi o pontapé inicial para a "nova Layla". Eu me joguei! Comecei com um laptop de mais de 10 anos, um celular e uma agenda velha para organizar os atendimentos. Comprei uma fita métrica, um disco de alfinetes e uma caixinha de giz — era tudo o que eu precisava. Ver que hoje estou melhorando meus materiais e investindo na minha imagem me dá um orgulho enorme, porque só eu sei o valor de cada alfinete desse começo.

7. Livro, filme e mulher que admira

No momento, estou lendo Meditações, de Marco Aurélio. Ele segue a linha da filosofia estoica, e busquei essa leitura para expandir minha percepção sobre como ele impactou o mundo com sua visão. Sobre filmes, gosto muito de Mad Max e da personagem Furiosa (Charlize Theron). Ela é obrigada a sair da zona de conforto e, em um meio desfavorável, se reinventa e lidera uma revolução. É uma trajetória de força que me inspira.
A mulher que admiro é uma grande amiga, a Natalie, que foi soldado comigo. Meu período na Polícia Militar de SP foi uma virada de chave: vivi alojada, dividindo tudo com mulheres que nunca vira antes. No meio desse turbilhão de mudanças, a Natalie esteve ao meu lado. Ela foi um apoio fundamental, acompanhou de perto minha ruptura com o sistema tradicional e continua comigo até hoje, apoiando-me em tudo.