Nossa Mulher Positiva é Marianna Souza, Presidente da APRO, Gerente Executiva da FilmBrazil e idealizadora do programa Visionárias. Marianna iniciou sua trajetória em Brasília, na ApexBrasil, onde teve seu primeiro contato com projetos ligados à Economia Criativa, e foi ali que a “mosquinha do audiovisual” a picou de vez. Hoje, ela atua na linha de frente de iniciativas e parcerias que fortalecem, conectam e impulsionam o mercado audiovisual brasileiro.
Começou em Brasília, na ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), onde tive a oportunidade de trabalhar na carteira de projetos ligados à Economia Criativa. Foi ali que tive meu primeiro contato mais próximo com o universo do audiovisual, não só com a publicidade, mas também com toda a parte de entretenimento (conteúdo e cinema). Foi nessa época que a “mosquinha do audiovisual” me picou e eu me apaixonei por esse mercado.
A APRO é uma associação sem fins lucrativos, com mais de 50 anos de existência, e que já passou por inúmeras fases. Hoje, acredito que conseguimos chegar a um modelo interessante. Temos uma arrecadação mensal dos nossos associados, que acaba gerando um caixa para manter as despesas fixas da associação, e, por meio de parcerias estratégicas, conseguimos executar as nossas entregas.
Atualmente, temos uma parceria com o SEBRAE Nacional voltada para a capacitação de micro e pequenas produtoras. Também temos o Projeto FILMBRAZIL, uma parceria com a ApexBrasil voltada para a promoção do Brasil como polo de produção audiovisual, além de funcionar como um grande “marketplace” para conectar produtoras e diretores brasileiros com agências e clientes internacionais.
Sem dúvida, o período da pandemia. Foi um momento extremamente desafiador, logo nos primeiros meses após assumir a Presidência Executiva da APRO. Eu ainda estava no período de adaptação quando, de repente, o mundo caiu, literalmente.
Os primeiros três meses foram desesperadores, com inúmeras questões envolvendo cancelamentos de filmagens, seguradoras abdicando de qualquer responsabilidade, equipe técnica desesperada (muitos com questões ligadas à segurança alimentar). Foi um período bem difícil, porque além dos problemas relacionados ao trabalho, havia também o lado pessoal. Eu estava longe de toda a minha família, que mora em Brasília.
Mas, passado o caos inicial, conseguimos montar um time para trabalhar no protocolo de volta das atividades do setor. Nos estruturamos com um sistema integrado de testagem, relatórios semanais sobre a situação de contágio dentro dos sets de filmagem e acompanhamento rápido dos casos mais graves. Foi um período de dor coletiva, mas que trouxe muitos aprendizados. Profissionalmente foi uma prova de fogo.
Essa busca é diária e contínua. Estou sempre me policiando para não deixar o trabalho tomar conta da minha vida. Digo isso porque, como trabalho com audiovisual, até nos momentos de lazer eu acabo fazendo alguma conexão com o trabalho. Esse é o problema de amar demais o que faz. Mas tento compensar reservando momentos específicos do dia. Não abro mão dos meus treinos de Muay Thai e da terapia. Aos finais de semana, sempre estou cercada de amigos e família.
Poder ver mais mulheres em posições de liderança nesse mercado. Infelizmente, essa ainda é uma triste realidade do nosso setor. Existe uma pesquisa recente da consultoria Diversitera que aponta que 70% dos cargos operacionais são ocupados por mulheres, porém apenas 30% ocupam cargos de liderança. Quando falamos sobre remuneração, seguimos com essa mesma disparidade.
Isso me machuca de muitas maneiras, inclusive no lado pessoal. Venho de uma família cheia de mulheres. Somos três filhas, e hoje tenho quatro sobrinhas. Sinto que preciso fazer a minha parte para que elas possam viver em um mundo, no mínimo, mais justo.
Minha família. Sem dúvida, essa é a minha maior conquista. Fora isso, pensando profissionalmente, fico muito feliz por ter criado o Visionárias, um Programa de Mentoria para Alta Liderança Feminina no Mercado Audiovisual. Sinto muito orgulho dessa realização.
Difícil escolher apenas um, mas vamos lá.
Livro – Tudo é Rio (Carla Madeira). Maravilhoso sob tantos aspectos, uma obra-prima. Lembro que a primeira vez que li foi praticamente em um dia, porque não conseguia parar de tão envolvente e emocionante. Amo a Carla Madeira, mas acho que em Tudo é Rio ela conseguiu superar todas as expectativas.
Filme – Tenho tantos que amo, mas vou trazer o cinema nacional para essa entrevista, porque acho que estamos vivendo uma fase tão maravilhosa. Aqui fico super dividida. Eu amo Ainda Estou Aqui, acho a atuação da Fernanda Torres impecável. A fotografia, a direção de arte. É tudo tão lindo e especial. Fora isso, outro filme arrebatador é Manas, da Mariana Brennand. Um soco no estômago, de um jeito lindo e emocionante. Eu amei!
Mulher – Tenho algumas mulheres que admiro, mas tem uma por quem ando obcecada ultimamente: Dona Tânia Maria (a Sebastiana, de O Agente Secreto). Uma mulher artesã conseguir chegar ao auge, com um filme indicado ao Oscar, aos 78 anos. Ela é a prova viva de que nunca é tarde demais para realizar nossos sonhos. Ver as entrevistas dela e toda a repercussão do filme, sobretudo em relação à atuação dela, é lindo demais. Que sirva de exemplo para todas nós: nunca é tarde demais.