Mirian Herdy Dias - Mulheres Positivas

Mirian Herdy Dia

Escrito por Kizzy Bortolo

De R$ 30 reais apenas de investimento inicial a vendas para todo o mundo: Essa é a história da nossa Mulher Positiva de hoje, a empresária e empreendedora fluminense, Mirian Herdy Dias, de 38 anos, dona da Mirian Dias Ateliê, que tem transformado sua empresa de roupas de festas infantis num negócio internacional, já que ela exporta a moda infantil brasileira que ela desenha e fabrica para o mundo todo. Mirian transforma habilidade com costura em ateliê de moda infantil que conquistou clientes internacionais. Ela começou costurando acessórios para crianças durante uma crise financeira e, sem nunca ter feito curso de corte e costura, construiu uma marca que, hoje, envia peças para países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália.

“O que começou com apenas uma máquina de costura, alguns acessórios infantis e uma situação financeira bastante difícil, se transformou, anos depois, em um negócio de moda personalizada com clientes dentro e fora do Brasil. Essa é a minha trajetória profissional. Comecei a construir meu próprio negócio em 2014, quando eu estava grávida da minha filha caçula e enfrentava uma fase de muitas dificuldades financeiras. Sou mãe de três filhos e, naquele período, era ainda mãe solo, quando encontrei na habilidade manual uma possibilidade de gerar renda. Mas, a minha relação com a costura, porém, havia começado muito antes.

Aos 17 anos, entrei pela primeira vez em uma confecção de moda íntima aqui na minha cidade, Nova Friburgo, interior do Rio de Janeiro, e foi onde aprendi a costurar na prática. Nunca fiz um curso profissional de costura, corte ou modelagem. O conhecimento foi adquirido trabalhando no dia a dia e, posteriormente, na base da tentativa, com muitos erros e aprendizados diários. O primeiro passo foi fazer laços, tiaras e sapatinhos infantis. Como eu ainda tinha filhos pequenos, achei que era um bom nicho de negócio por conviver com este universo no meu dia a dia. Durante a gravidez da minha filha caçula, comecei a produzir peças infantis artesanais, como tiaras, laços, sapatinhos e também prendedores de chupetas. A produção começou de maneira simples e despretensiosa. Criei uma página simples no Facebook, entrei em diversos grupos de artesanato e passei a divulgar os meus produtos feitos a mão. Logo, os primeiros pedidos começaram a aparecer. O que, inicialmente, era apenas uma tentativa de sobrevivência e de conseguir algum dinheiro para ajudar nas despesas da casa, começou a se transformar em uma fonte de renda para mim e minha família. 

Um dos primeiros momentos que me mostraram que aquilo poderia se tornar em um negócio aconteceu quando uma loja fez um pedido grande de acessórios infantis. O valor era pouco mais de R$ 1 mil reais, mas aquilo ali já representava muito para quem estava apenas começando. Fiquei radiante com a encomenda. Mãos a obra! 

Mas foi um vestido infantil que mudou o rumo da minha trajetória profissional. Este vestido, em especial, abriu caminho para a formação do meu ateliê. Quando minha filha nasceu, minha avó a presenteou com um vestidinho floral na cor laranja, com várias camadas. Me apaixonei pela peça! E pensei: ‘E se eu fizer um vestido como esse?’ O problema era que eu ainda não tinha experiência nenhuma com roupas infantis. Mas, já sabia costurar, então já era um bom começo. Minha experiência profissional, até então, estava apenas ligada à confecção de moda íntima. E, mesmo assim, decidi tentar. Vai que dá certo? E deu! Com o pouco tecido que eu tinha em casa e uma máquina de costura que eu já possuía, comecei a experimentar corte, montagem e acabamentos até conseguir produzir o primeiro vestido infantil para minha própria filha. Ela foi a minha primeira modelo infantil. A peça foi publicada nas redes sociais, eu postei uma foto só e logo vieram os primeiros pedidos. Me lembro que chorei de alegria! Um dos pedidos foi um vestido para um batizado de uma menina. Como ainda não dominava bem aquele tipo de produção, pedi ajuda a minha madrasta, que também era costureira e ela me auxiliou. Depois, levei a peça para minha casa e lá fiz os acabamentos. Acrescentei pérolas e flores para dar uma elaborada na peça e entreguei a encomenda. Eu fiz o vestido como se fosse para a minha própria filha, com todo meu amor e dedicação. Este vestido também foi fotografado e publicado nas redes sociais e novos pedidos começaram a aparecer. Fiquei muito feliz! 

De R$ 30 para R$ 90 reais

A trajetória, no entanto, não foi de crescimento constante. Afinal, eu estava só no começo. Porém, em determinado momento, voltei a enfrentar uma forte dificuldade e crise financeira. Me lembro que na minha conta bancária restavam apenas R$ 30 reais. E foi com esse dinheiro e muita resiliência que decidi continuar e empreender. Fui até uma loja de tecidos conhecida na minha cidade, no estado do Rio de Janeiro, e lá comprei três metros de tricoline com este dinheiro - cada metro custava R$ 10 reais - e voltei para casa. Com os três metros de tecido, consegui produzir mais três vestidos infantis. E assim foi indo... Cada vestido era vendido por R$ 30 reais. Então, os R$ 30 reais se transformaram em R$ 90 reais. Era pouco dinheiro, eu sei. Mas, para mim, naquele momento, representava algo maior: a possibilidade de fazer meu próprio negócio crescer e dar certo. Com muita coragem e intuição, eu apostei nisso! A partir dali o trabalho foi só aumentando gradualmente.

Entre 2014 e 2019, a venda dos vestidos ajudaram a sustentar meus três filhos. Me recordo que vivi períodos de poucos pedidos e outros em que precisei passar noites inteiras em claro costurando para conseguir dar conta e entregar as encomendas todas. Era uma rotina de produção praticamente toda artesanal e feita dentro da minha casa mesmo: criar, cortar, costurar, finalizar, fotografar, divulgar, vender e entregar. Ufa!

O primeiro ponto físico que eu tive foi em abril de 2019. Neste mesmo ano conheci o Bruno, meu marido e fiel escudeiro. Ele passou a acompanhar de perto todo o meu trabalho e percebeu que havia potencial para que mais pessoas conhecessem a minha marca: Mirian Dias Ateliê. Nessa época, as vendas aconteciam, principalmente, pelo Facebook e pelo Instagram. E, assim, fomos ganhando cada vez mais visibilidade. Bruno me incentivou muito a abrir uma loja física na nossa cidade, Nova Friburgo. Em junho de 2019, realizei um sonho antigo: abriu a minha primeira loja. O espaço era pequeno e modesto. Ficava embaixo de minha própria casa. E, mesmo com o medo de não dar certo, o movimento me surpreendeu. Apenas cinco meses depois, foi necessário procurar um espaço maior tamanho foi o sucesso nas vendas. Com o crescimento, surgiram novas oportunidades para a abertura de outras três unidades físicas. E a história do meu ateliê, que antes era embaixo da minha casa, ganhou uma nova mudança de direção com o crescimento das vendas pela internet. Bruno também me incentivou a ampliar a presença da marca nos marketplaces. Em 2020, veio a nossa primeira loja na no site Elo7. E, posteriormente, a marca passou a atuar também em plataformas como Shein, Shopee, Amazon, Etsy e Mercado Livre. E aí bombou! 

Porém, veio a pandemia em 2020, acelerou uma transformação que já começava a acontecer. Com o crescimento das vendas online, percebi que o futuro do negócio poderia estar muito além das lojas físicas. Aí a nossa estratégia de vendas mudou. As operações físicas foram, gradualmente, sendo substituídas pelo modelo online. E, hoje, morando em Cordeiro, no interior do Rio de Janeiro, eu administro uma operação que alcança clientes de diferentes partes do Brasil e também do exterior.

Do interior do Rio para vários países

O que começou em uma pequena máquina de costura, hoje chega a consumidores internacionais, de diversos países do mundo. O ateliê já realizou envios para países como Estados Unidos, Reino Unido, México, Israel, Palestina, Emirados Árabes Unidos, Austrália, Filipinas, Espanha e Canadá. O que me deixa muito orgulhosa do nosso trabalho! Os Estados Unidos, por exemplo, estão entre os destinos mais frequentes das encomendas. É onde, hoje, nós temos a maior parte dos nossos clientes em potencial. Nas redes sociais, a marca também cresceu. E muito! O perfil do ateliê no Instagram, por exemplo, chegou à marca de, aproximadamente, 338 mil seguidores.

E, de vestidos infantis feitos para meninas, passamos a ter uma produção personalizada também para toda a família. A empresa também deixou de trabalhar, exclusivamente, com vestidos infantis femininos. A grade de produtos foi ampliada e, atualmente, envolve peças personalizadas para mães, pais, filhos, filhas e até pets. Sim, toda a família! Minha marca trabalha com estampas criadas do zero, além de personalizações por sublimação e bordados. A proposta é criar conjuntos coordenados para diferentes ocasiões e tipos de celebração, incluindo: festas de aniversários, festas infantis, batizados, formaturas escolares, casamentos, ensaios de maternidade e eventos especiais. Entre os produtos estão vestidos infantis, vestidos para as mamães, camisas masculinas, peças personalizadas e também acessórios. O chamado ‘Kit Família’ também se tornou uma das propostas da nossa marca: com peças coordenadas para diferentes integrantes da família, criadas de acordo com o tema escolhido para a festa dos clientes.

Me considero uma empreendedora que aprendeu fazendo, colocando, literalmente, a mãos na massa! Talvez uma das características mais marcantes da minha trajetória seja justamente aquilo que eu não tinha quando comecei a empreender. Eu não tinha formação em moda, aliás, eu não tinha formação em nada! Mas não me faltava vontade e coragem para trabalhar e empreender! Não tinha curso de corte e modelagem e não comecei com uma grande estrutura. Tudo era dentro da minha própria casa. E também não comecei com um capital financeiro significativo. Eu tinha apenas R$ 30 reais e muita vontade de fazer o negócio dar certo! Comecei com conhecimento prático de costura, uma dose de alta criatividade, uma máquina de costura e a necessidade de gerar renda para manter meus filhos. Ao longo dos anos, transformei o aprendizado adquirido na prática em uma empresa especializada em peças personalizadas, o que me dá um baita orgulho!

Minha história também teve o total apoio e incentivo do Bruno, meu marido, que, além do incentivo para a abertura da minha primeira loja física, passou também a participar da estrutura do negócio e da produção de artes para as peças personalizadas. Ele é o meu braço direito na empresa. Hoje, somos um casal que trabalha junto em diferentes etapas da operação do ‘Mirian Dias Ateliê’.

Eé com muito orgulho e satisfação pessoal que lhes digo que a minha história foi construída ponto a ponto. Ou seja, da primeira tiara ao primeiro vestido. Dos R$ 30 reais investidos em três metros de tecido às encomendas internacionais. Da pequena lojinha embaixo da minha casa às plataformas digitais. Dos primeiros grupos pequenos de artesanato no Facebook aos milhares de seguidores nas redes sociais e vendas internacionais. A minha trajetória pessoal e profissional é marcada por uma sucessão de pequenos passos e desafios que, somados, transformaram uma habilidade e criatividade que aprendi, ainda adolescente, em uma marca de moda personalizada com alcance internacional. E, confesso que, para mim, talvez a maior conquista não esteja apenas em termos de números ou cifras, e sim em olhar para trás e lembrar que, quando tudo começou, eu só precisava encontrar uma maneira de transformar aquilo que sabia fazer com as próprias mãos em uma oportunidade para sustentar os meus três filhos. Bo acho que consegui! Uma trajetória construída com costura, criatividade, trabalho e adaptação ao longo de mais de uma década de puro trabalho e dedicação”.