Natalia - Mulheres Positivas

Natalia

Nossa Mulher Positiva é Natalia, estilista e empresária da área da moda à frente do Ateliê Natalia, que também influencia milhares de seguidores. Natalia compartilha sua trajetória de carreira, desde os desafios do recomeço até a construção de uma marca autoral reconhecida por sua criatividade e legado.

1. Como começou a sua carreira?

Minha história na moda começou muito antes de existir um ateliê. Começou aos 11 anos, costurando nas máquinas da confecção de jeans da minha família, entre tecidos, engrenagens e a curiosidade de entender como uma peça era construída.
Anos depois, em 2017, a fábrica de roupas da minha família encerrou as atividades devido a uma fase financeira difícil, após o falecimento dos meus avós, que me criaram e eram praticamente os alicerces da confecção. O que para muitos poderia ser o fim, para mim foi o início de um recomeço.
Com o valor do seguro-desemprego, já que meu pai precisou me demitir, montei um pequeno ateliê em uma sala de apenas 2x6 metros nos fundos da antiga confecção. No começo, eu criava peças gratuitamente para amigas. Não porque não valorizasse meu trabalho, mas porque precisava mostrar ao mundo do que eu era capaz. Cada vestido entregue era uma oportunidade de construir confiança e portfólio.
Em 2020, um vídeo no TikTok com meu amigo Matheus Ferreira viralizou e apresentou meu trabalho para milhares de pessoas. A partir dali, minha história começou a alcançar lugares que eu jamais imaginei. Durante a pandemia, meu trabalho no ramo de eventos foi afetado, mas, com o auxílio-emergencial (ajuda do governo na época), criei a minha estratégia para lançar uma pequena coleção e triplicar o valor do benefício recebido, até o momento em que tudo voltaria ao "normal".
Em janeiro de 2023, tomei uma das decisões mais corajosas da minha vida: deixei o interior do Rio de Janeiro e me mudei para São Paulo. Eu já estava superconsolidada na minha cidade natal. Foi a minha maior loucura. Todos me chamavam de doida (risos), mas eu sabia que daria certo.
Cheguei com apenas três clientes, duas máquinas e uma mesa de corte, além de muita vontade de crescer e da certeza de que o trabalho bem-feito abriria portas. Vesti noivas, artistas, influenciadoras e mulheres que confiaram em mim para momentos especiais de suas vidas. Em dezembro de 2024, fiz mais uma loucura: inaugurei meu novo ateliê nos Jardins, um dos bairros mais conhecidos de São Paulo, consolidando uma trajetória construída com trabalho, técnica, persistência e fé.
Hoje, mais do que criar vestidos, eu transformo histórias em peças que podem ser vestidas. Porque a moda mudou a minha vida. E eu acredito que ela também tem o poder de transformar a vida de quem passa por mim. Se tem algo que aprendi nessa jornada é que grandes impérios podem começar em uma pequena sala de 2x6 metros.

2. Como é formatado o modelo de negócios do Ateliê Natalia Santos?

O Ateliê Natalia é uma empresa de moda sob medida especializada em transformar histórias em peças exclusivas. Nosso modelo de negócios é baseado na personalização, no atendimento consultivo e na excelência artesanal, oferecendo uma experiência completa para cada cliente.
Atuamos principalmente nos segmentos de noivas, festas, formandas, figurinos e, mais recentemente, na alfaiataria sob medida para o dia a dia, ampliando nossa atuação para mulheres e homens que desejam se vestir com identidade e propósito em diferentes momentos da vida.
Nosso atendimento acontece de forma presencial, em nosso ateliê nos Jardins, em São Paulo, e também de maneira on-line, atendendo clientes de todo o Brasil e do exterior com o mesmo padrão de qualidade e acompanhamento.
O processo é dividido em etapas estratégicas. Primeiro, realizamos uma curadoria para entender a história, as necessidades e os objetivos da cliente. Em seguida, desenvolvemos o conceito criativo, a escolha dos materiais e o projeto da peça. Depois, iniciamos a fase de modelagem, construção, provas e ajustes, garantindo que cada detalhe represente a personalidade de quem irá vestir a criação.
Além da confecção sob medida, o modelo de negócios também se fortalece por meio da produção de conteúdo digital, palestras, eventos, parcerias com marcas e lançamentos de coleções autorais, criando um ecossistema que conecta moda, empreendedorismo e posicionamento.
Mais do que vender vestidos ou roupas, o Ateliê Natalia entrega uma experiência de transformação, autoestima e pertencimento, onde cada criação é desenvolvida para contar uma história única. Nosso diferencial está na combinação entre técnica, atendimento humanizado, visão estratégica de marca e a capacidade de transformar sentimentos em algo que pode ser vestido.

3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Sem dúvida, o momento mais difícil da minha carreira foi o encerramento da confecção da minha família, em 2017. Além da dificuldade financeira que enfrentávamos, eu também estava vivendo o luto pelo falecimento dos meus avós, que me criaram e eram os grandes pilares da nossa família e do negócio. Eu cresci dentro daquela confecção. Foi ali que aprendi a costurar, a trabalhar e a sonhar. Ver tudo aquilo chegar ao fim foi extremamente doloroso.
Naquele momento, eu tinha dois caminhos: aceitar que a história terminava ali ou decidir escrever um novo capítulo. Eu não tinha grandes recursos, não tinha investidores e nem garantia de que daria certo. Tinha apenas a minha experiência, a vontade de trabalhar e um sonho muito maior do que os meus medos.
Outro momento desafiador foi deixar a segurança que eu havia construído no interior do Rio de Janeiro para recomeçar em São Paulo. Eu já possuía uma clientela consolidada, reconhecimento na minha cidade e uma estrutura funcionando. Mesmo assim, escolhi começar praticamente do zero em uma cidade onde poucas pessoas conheciam a minha história.
Muitas pessoas acharam que eu estava cometendo uma loucura. E, olhando hoje, talvez realmente tenha sido. Mas foi uma loucura movida pela coragem de acreditar que eu poderia ir além. Esses momentos me ensinaram que o empreendedorismo não é sobre nunca cair. É sobre continuar caminhando mesmo quando tudo parece incerto.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal com a vida corporativa/empreendedora?

Terapia uma vez por semana! Essa é a primeira resposta. Mas, brincadeiras à parte, o segredo é entender as prioridades de cada fase da minha vida.
Empreender exige muita dedicação, especialmente quando você é responsável por tantas decisões e pessoas. Existem períodos em que o trabalho demanda mais atenção, mas aprendi que cuidar da minha vida pessoal também é fundamental para manter a clareza e a energia necessárias para liderar. Confesso que sou viciada na minha rotina de trabalho e, após um burnout em 2024 (sou grata a essa fase), aprendi a estabelecer limites saudáveis, reservar momentos de descanso, cuidar da minha saúde e valorizar pequenas pausas ao longo do dia. Esses momentos me ajudam a recarregar as baterias e voltar ao trabalho com mais foco e propósito.
Também aprendi que não preciso fazer tudo sozinha. Construir uma equipe de confiança e delegar responsabilidades foi essencial para que eu pudesse ter uma rotina mais equilibrada e sustentável — disso eu não abro mão. No fim das contas, aprendi a viver no caos sem deixar que ele me domine.
Hoje, quando olho para trás, percebo que os períodos mais difíceis da minha vida também foram os que mais me prepararam para construir tudo o que tenho hoje. Porque a dor me ensinou a resistir, e a resistência me fez transformar desafios em oportunidades.

5. Qual é o seu maior sonho?

Dormir 8 horas por dia (risos). Acho que esse é o sonho de todo empreendedor.
Mas, falando sério, confesso que o meu maior sonho de carreira já foi conquistado: ter o meu ateliê nos Jardins, em São Paulo, que chamo carinhosamente de meu império. Foi uma realização de alegria imensurável. Depois de tantas lutas, dificuldades e limitações que, convenhamos, nunca deixam de existir, ver aquele sonho se tornar realidade foi algo muito maior do que eu imaginava.
Quando conquistei esse espaço, passei quase dois meses meio paralisada, sem conseguir compreender a dimensão do que estava vivendo. Era como se eu estivesse tão acostumada a lutar pelo próximo passo que, quando finalmente cheguei lá, precisei de um tempo para entender que aquele sonho havia se tornado realidade.
Hoje, meu maior sonho de carreira é me ver na Forbes. Não pelo título em si, mas pelo que ele representa: o reconhecimento de uma trajetória construída com muito trabalho, coragem, persistência e propósito.
Vontades e desejos todos nós temos, e eles não deixam de ser uma forma de sonho. Mas eu costumo enxergá-los como consequência. Consequência das escolhas que fazemos diariamente, dos riscos que assumimos e da dedicação que colocamos naquilo em que acreditamos. Por isso, mais do que sonhar, eu gosto de construir. Porque foi assim que saí de uma sala de 2x6 metros e cheguei ao meu império nos Jardins. E será assim que continuarei construindo os próximos capítulos da minha história.

6. Qual é a sua maior conquista?

Minha maior conquista é o ateliê nos Jardins, os milhões de seguidores e as pessoas incríveis que já tive a oportunidade de vestir. Sem dúvida, tudo isso tem um valor enorme para mim.
Mas, junto com essas conquistas, a maior delas foi provar para mim mesma que eu era capaz. Capaz de construir o meu espaço de forma genuína, valorizando quem caminha comigo e respeitando cada pessoa que acompanha a minha trajetória.
Desejo, do fundo do meu coração, que todos que me seguem sintam a minha felicidade por ter realizado o sonho de ser estilista, representando tantos talentos escondidos pelo nosso Brasil. E desejo também que todas as pessoas que passam pelo meu ateliê saiam com a certeza de que realizei aquele trabalho como se fosse para mim mesma. Porque cada peça carrega dedicação, responsabilidade e muito amor pelo que faço.
Ver alguém feliz, realizada e confiante vestindo uma criação com a minha etiqueta é uma conquista que não tem preço. No final, mais do que vestidos, eu acredito que entrego sonhos. E participar de momentos tão importantes na vida das pessoas é o que dá sentido a tudo o que construí até aqui.

7. Livro, filme e mulher que você admira

Essa é uma pergunta difícil, porque admiro muitas mulheres por motivos diferentes.
Livro 1: A Bíblia. Além de ser o livro que mais leio, é onde encontro direção, sabedoria e força para enfrentar os desafios da vida e do empreendedorismo. Encontro ali histórias inspiradoras pela coragem de permanecer fiel aos princípios, mesmo diante das adversidades.
Livro 2: Gestão do Amanhã. É uma obra que me marcou por mostrar como o futuro dos negócios é construído através da inovação e da capacidade de enxergar oportunidades antes que elas se tornem óbvias.
Série (no lugar do filme): Velvet. Não é um filme, mas é uma série que faz muito sentido para mim. Além de se passar no universo da moda, mostra os bastidores da criação, da gestão e dos desafios de construir uma marca. Gosto especialmente da forma como retrata o valor do trabalho artesanal, da criatividade e da paixão por transformar tecidos em histórias. É uma série que me faz lembrar diariamente por que escolhi viver da moda.
Mulher que admiro: Zica Assis. Admiro a Zica porque ela transformou uma necessidade pessoal em um negócio que impactou milhares de mulheres. Sua história é uma prova de que grandes empresas podem nascer de sonhos simples, muito trabalho e da vontade de resolver problemas reais. Como empreendedora, me identifico com sua coragem de começar mesmo sem ter todos os recursos, de acreditar em uma visão quando poucas pessoas acreditavam e de construir um legado que vai muito além do sucesso financeiro.