Nossa Mulher Positiva é Thais Falquer, empreendedora e fundadora da SheCorp, plataforma de conteúdo e negócios voltada para mulheres que trabalham. De escola pública no Brasil à construção de uma carreira internacional em Paris, com passagem pela sede global da LVMH, Thais transformou sua trajetória entre o mercado corporativo e o empreendedorismo em um negócio que busca ampliar as possibilidades profissionais de outras mulheres.
Minha carreira começou ainda na universidade. Estudei em escola pública e depois entrei na Universidade Federal de Viçosa, onde comecei a enxergar possibilidades profissionais muito maiores do que aquelas que conhecia até então.
Durante a graduação, liderei projetos que me aproximaram do mercado e me levaram para São Paulo, onde construí parte importante da minha carreira em agências publicitárias, trabalhando com grandes marcas como Sony Pictures, Lindt e Tinder.
Mais tarde, decidi internacionalizar essa trajetória: vim para Paris fazer um mestrado em International Business na Université Paris-Dauphine–PSL e tive a oportunidade de trabalhar na sede global da LVMH.
A SheCorp nasceu depois dessas experiências e das conversas que eu tinha com outras mulheres sobre carreira. Percebi que muitas enfrentavam dúvidas parecidas sobre trabalho, dinheiro, posicionamento e crescimento profissional, mas faltava um espaço que falasse sobre tudo isso de maneira prática e próxima.
A SheCorp é uma plataforma de conteúdo e negócios voltada para mulheres que trabalham, sejam elas profissionais do mercado corporativo ou empreendedoras.
Hoje, o negócio tem diferentes frentes de receita: produtos próprios de educação e desenvolvimento profissional, uma comunidade por assinatura, o SheClub, além de projetos de publicidade e conteúdo com marcas e consultoria.
O conteúdo é uma parte central desse ecossistema. É por meio dele que construímos audiência e comunidade, entendemos as principais dores dessas mulheres e transformamos algumas delas em produtos, serviços e experiências.
A SheCorp também nasceu como uma operação enxuta. Utilizo tecnologia e parcerias estratégicas para executar funções que normalmente exigiriam uma estrutura muito maior, mantendo o negócio ágil enquanto ele cresce.
O momento mais difícil da minha carreira foi sair do Brasil para construir uma vida profissional em Paris.
Eu já tinha uma trajetória em São Paulo, uma rede de contatos e conhecia os códigos do mercado em que trabalhava. Ao chegar à França, precisei reconstruir muita coisa: me adaptar a outro idioma, outra cultura e outra dinâmica profissional, ao mesmo tempo em que fazia um mestrado.
Foi um período de muita adaptação, mas também uma virada importante na minha trajetória. Essa decisão me levou a trabalhar na sede global da LVMH e ampliou completamente a forma como eu enxergava minha carreira e as possibilidades que poderia construir a partir dali.
Não acredito em equilíbrio como uma divisão perfeita entre vida pessoal e profissional. Existem períodos em que o trabalho exige mais e outros em que consigo priorizar outras áreas da vida.
Empreender torna essa fronteira ainda mais difícil, porque sempre existe algo que poderia estar sendo feito. Por isso, procuro ser intencional sobre onde coloco meu tempo e perceber quando uma área está ocupando espaço demais por tempo demais.
Também aprendi que produtividade não pode ser o único critério para decidir se um dia foi bom.
Meu maior sonho profissional é transformar a SheCorp em uma das principais referências para mulheres que trabalham no Brasil.
Quero construir uma empresa que acompanhe diferentes momentos da vida profissional de uma mulher, desde conseguir uma oportunidade, aprender a se posicionar e negociar melhor até liderar, empreender e construir patrimônio.
Quero que seja um negócio grande e sustentável, sem perder a proximidade que fez a SheCorp nascer, e que efetivamente amplie as possibilidades profissionais de muitas mulheres.
Minha maior conquista foi ampliar muitas vezes aquilo que eu acreditava ser possível para a minha própria vida.
Vim de escola pública, estudei em uma universidade federal, construí minha carreira em São Paulo, atravessei o oceano para fazer um mestrado em Paris, trabalhei na sede de um dos maiores grupos de luxo do mundo e, mais recentemente, comecei a construir minha própria empresa.
Tenho orgulho de cada uma dessas etapas, mas principalmente de nunca ter tratado o lugar de onde comecei como um limite para onde poderia chegar. É essa mesma ampliação de possibilidades que quero levar para outras mulheres por meio da SheCorp.
Livro: É difícil escolher apenas um porque leio bastante, mas A Regra é Não Ter Regras, de Erin Meyer e Reed Hastings, é um dos livros de negócios que mais me marcou. Gosto especialmente das provocações sobre cultura, autonomia e sobre como empresas precisam repensar estruturas à medida que crescem. Hoje, construindo a SheCorp, muitas dessas discussões ganharam um significado ainda mais prático para mim.
Também tenho um carinho especial por Minha História, de Michelle Obama, pela forma como ela narra a construção da própria trajetória e a entrada em espaços que, em diferentes momentos da vida, pareciam muito distantes de onde ela começou.
Filme: Legalmente Loira. Gosto muito do que o filme representa. Por trás da comédia, existe uma mulher constantemente subestimada pela forma como se apresenta e que prova sua competência sem abandonar sua personalidade para caber naquele ambiente. É um filme que marcou gerações e continua atual.
Mulher que admiro: Rachel Maia. Admiro sua trajetória como executiva, a construção de uma carreira em posições de liderança em grandes empresas e sua atuação para ampliar as discussões sobre diversidade e oportunidades no mundo corporativo.