Tijana Jankovic e Luna Mori - Mulheres Positivas

Tijana Jankovic e Luna Mori

Nossas Mulheres Positivas são Tijana Jankovic e Luna Mori, fundadoras da Pato Jack, marca pioneira de fraldas premium de viscose de bambu que está revolucionando o mercado de cuidados infantis com inovação e sustentabilidade.

Tijana relembra sua sólida trajetória no mercado financeiro global, com passagens por Londres, Paris e Nova York, além de sua atuação como CEO da Rappi no Brasil. Luna compartilha sua bagagem no marketing de luxo e publicidade, e os sete anos de liderança comercial que consolidaram sua veia empreendedora. Juntas, elas contam como uniram suas expertises para criar um modelo de negócio dinâmico (D2C e B2B) focado no bem-estar das famílias e na construção de uma comunidade forte. Elas também compartilham o propósito por trás da Pato Jack: oferecer uma experiência de cuidado mais consciente, provando que o futuro da maternidade e da paternidade pode caminhar lado a lado com o respeito ao planeta.

1. Como começou a sua carreira?

Resposta Tijana Jankovic: Iniciei minha carreira no mercado financeiro em Londres, atuando em um banco global de origem francesa. Em 2013, fui expatriada para o Brasil, uma mudança que transformou minha vida. Aqui, desenvolvi uma forte conexão com a cultura brasileira e conheci meu marido, João.
Em 2016, fui transferida para Nova York. Apesar da oportunidade, sentia que o Brasil era o meu lugar. Um ano depois, aceitei o desafio de integrar a área de Business Development da Uber em São Paulo e retornei ao país.
Após a Uber, trabalhei no Google e, em seguida, na Rappi, onde permaneci por sete anos e fui CEO Brasil por três deles. Essa trajetória fortaleceu minha visão sobre o empreendedorismo e me inspirou a seguir um novo caminho profissional. Hoje, sou empreendedora da Pato Jack, consultora e membro do board da Tako, empresa de inteligência artificial aplicada a RH, dentre várias outras atividades.
Resposta Luna Mori: Comecei minha carreira em Marketing, passando pelo Hotel Emiliano e pela JWT. No Emiliano, aprendi muito sobre o mercado de luxo e excelência em atendimento; na agência, desenvolvi meu lado criativo e estratégico.
Depois, segui para o universo de vendas diretas, onde atuei por seis anos desenvolvendo equipes e lideranças pela América Latina. Em seguida, ingressei na Rappi, onde permaneci por sete anos em diferentes áreas de negócios.  Resposta Tijana Jankovic:

2. Como é formatado o seu modelo de negócios na Pato Jack? 

Resposta Tijana e Luna: A Pato Jack é uma marca de fraldas premium de viscose de bambu. Nosso modelo combina venda direta ao consumidor (B2C) através de nosso site, parcerias estratégicas (B2B - Shopper) e construção de comunidade. Mais do que vender um produto, buscamos oferecer uma experiência de cuidado, unindo inovação, sustentabilidade e alta performance para as famílias.

3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Resposta Tijana Jankovic: Sem dúvida, o momento mais desafiador da minha trajetória foi a decisão de migrar de uma carreira sólida em finanças para o setor de tecnologia. Depois de mais de dez anos em um banco de renome global, com passagens por Londres, Paris e Nova York, eu havia alcançado exatamente o que sonhava na adolescência: estabilidade, reconhecimento e um lugar de destaque no mercado financeiro. No entanto, por trás desse sucesso, eu já não encontrava propósito no meu trabalho.
Foi um período difícil. Mesmo com tudo certo no papel, eu não me sentia feliz, e isso me levou a momentos de profunda dúvida e até estágios depressivos. Eu acreditava que só sabia fazer finanças, e essa sensação de limitação tornava qualquer mudança ainda mais assustadora.
Abrir mão de um caminho tão estruturado para ingressar em uma empresa de tecnologia recém-fundada, aplicando para posições mais juniores em um setor que ainda nem se provava financeiramente, gerou questionamentos de todos os lados: amigos, colegas, família e, principalmente, de mim mesma. Para completar, eu estava recém-casada; meu marido havia deixado o emprego estável no Brasil para me acompanhar em Nova York e, um ano depois, eu queria voltar ao Brasil para apostar em tecnologia. A pergunta que pairava no ar era inevitável: se eu já estava no topo do mercado financeiro, por que arriscar tudo e começar do zero em algo tão incerto?
Resposta Luna Mori: Foi quando, após cerca de seis anos trabalhando de forma autônoma, liderando equipes de vendas e realizando palestras pelo Brasil, recebi um convite para voltar ao mercado corporativo.
Eu estava em um momento muito bom da minha carreira, com liberdade para gerir meu próprio tempo. Voltar para uma estrutura corporativa significava recomeçar em muitos aspectos, provar meu valor em um ambiente completamente diferente.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora?

Resposta Tijana Jankovic: Diferentemente do que muita gente acredita, o que funcionou para mim não foi separar vida pessoal e vida profissional. Quando decidi ter filhos justamente no momento mais intenso do meu crescimento como empreendedora internacional, percebi que tentar dividir essas duas esferas só aumentava meu estresse. A solução foi integrá-las.
Quando viajo, levo meus filhos comigo. Quando preciso fazer uma reunião em casa, eles estão por perto. Eles sabem que eu trabalho, entendem minha rotina e, no caso da minha filha mais velha, Tereza, ela até participa de algumas conversas, o que considero um aprendizado valioso desde cedo. Não existe uma fronteira rígida entre “família” e “trabalho”. Não há caixas separadas.
Durante muito tempo, tentei sustentar essa divisão entre a Tijana mãe e a Tijana executiva, e isso só gerou conflitos internos e frustrações. A integração me trouxe leveza e autenticidade.
A Pato Jack representa exatamente essa união das minhas duas identidades: mãe e empreendedora. É um projeto que reúne tudo o que aprendi em tecnologia e inovação, somado ao que aprendi na maternidade. É a forma que encontrei de devolver para outras famílias o conhecimento acumulado nessa jornada como mãe, executiva e empresária.
Resposta Luna Mori: Acredito que as prioridades mudam conforme cada fase da vida. Hoje, sendo mãe e empreendedora, aprendi a ser muito mais intencional com meu tempo. Busco estar verdadeiramente presente onde estou, aproveitando cada momento e realizando tudo com dedicação, cuidado e excelência.
Também acredito que fazer bem feito na primeira vez é uma forma de respeitar o próprio tempo. Seja em uma reunião importante, liderando um projeto ou em um momento com minha família, procuro estar inteira e presente.

5. Qual seu maior sonho?

Resposta Tijana Jankovic: Meu maior sonho é transformar a experiência das famílias modernas, mostrando que é possível viver a maternidade e a carreira de forma integrada, leve e verdadeira. Quero que a Pato Jack se torne um movimento que apoie pais e mães no mundo inteiro, oferecendo ferramentas, conhecimento e acolhimento para que ninguém precise escolher entre ser um profissional realizado e um pai ou mãe presente.
Sonho em criar um legado que una tudo o que aprendi como mãe, empreendedora e líder, e que ajude outras famílias a viverem com mais propósito, autonomia e conexão.
Resposta Luna Mori: Sou do interior, cresci perto de mato e fazenda. Aprendi com meu pai que temos que regar a semente que plantamos, cuidar, proteger, para florescer algo lindo. Quero construir algo que deixe uma mensagem positiva no mundo. Uma semente que não seja esquecida. Quero que a Pato Jack seja reconhecida não apenas pelos produtos excepcionais que oferece, mas pelos valores que representa: cuidado, inovação e responsabilidade com as próximas gerações, impactando positivamente a vida das famílias e o planeta.

6. Qual sua maior conquista?

Resposta Tijana Jankovic: Tenho muito orgulho da minha família multicultural, que celebra e valoriza tanto as raízes brasileiras quanto as sérvias. Faço questão de que meus três filhos, mesmo vivendo no Brasil, mantenham contato com a língua e a cultura sérvia, celebrando as tradições da minha família enquanto também reconhecem e apreciam toda a riqueza da cultura brasileira.
Resposta Luna Mori: Minha filha. Ela transformou completamente minha visão sobre propósito e me tornou uma profissional e uma pessoa melhor. Minha família passou a dar um significado ainda maior a tudo o que faço.
Descobri que estava grávida na mesma semana em que a Tijana me convidou para o projeto, e isso teve um significado muito especial para mim. Iniciei dois capítulos transformadores da minha vida ao mesmo tempo.

7. Livro, filme e mulher que admira

Resposta Tijana Jankovic: Livro: Amo biografias, e as minhas preferidas estão listadas abaixo.
KingMaker: biografia de Pamella Churchill, a mulher mais subestimada da história. Autobiografia de Estée Lauder
Filme: O Profissional, filme de Luc Beson com Natalie Portman
Mulher: A artista sérvia Marina Abramović é uma referência incontornável. Considerada a “avó da arte da performance”, ela nasceu em Belgrado, em 1946, e construiu uma carreira marcada por experimentações radicais que exploram os limites do corpo, da mente e da resistência humana. Ao longo de mais de cinco décadas, tornou-se uma das artistas mais influentes do mundo, abrindo caminho para que muitas mulheres sérvias, artistas ou não, conquistassem reconhecimento pela excelência em suas áreas.
Em sua obra, Marina demonstra uma postura profundamente ousada, destemida e corajosa, atributos que considero essenciais para qualquer empreendedor.
Resposta Luna Mori: LIVRO - Brava Serena. É uma leitura leve, envolvente e cheia de sensibilidade. Gosto de livros que me permitem desacelerar e viajar sem sair do lugar, e esse tem exatamente esse efeito: me transportou para a Itália, para suas paisagens, sabores e emoções. É aquele tipo de leitura que faz a mente relaxar e convida a aproveitar a jornada. Indico para todos que me pedem dicas de livro.
FILME - Anatomia de uma Queda. O que mais me marcou foi a forma como a história apresenta diferentes perspectivas sobre um mesmo acontecimento. O filme nos lembra que a verdade raramente é simples ou absoluta e que nossas interpretações são influenciadas pelas experiências, crenças e emoções de cada um. É uma obra que provoca reflexão muito além da trama em si.
MULHER - Renata Vanzetto: Admiro a Renata pela capacidade de transformar criatividade em negócios de sucesso sem perder sua autenticidade. Uma menina que nasceu em Ilha Bela, e começou a vida na gastronomia vendendo sanduíches para pescadores. Hoje é uma das maiores chefs do Brasil, construiu uma trajetória admirável, é mãe de 3, tem 9 restaurantes deliciosos com muita personalidade e sabor. Ela tem o toque de midas: o que coloca a mão vira ouro.