Ana Claudia Badra Cotait - Mulheres Positivas

Ana Claudia Badra Cotait

Nossa Mulher Positiva é Ana Claudia Badra Cotait, presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC). Com mais de 30 anos de trajetória no Senado Federal, Ana Claudia construiu uma carreira marcada pela gestão, articulação institucional e pelo empreendedorismo. Nesta entrevista, ela fala sobre sua atuação à frente do CMEC, desafios da carreira, participação no BRICS Summit, na Índia, e seu desejo de ver mais mulheres ocupando espaços de poder e decisão.

1. Como começou a sua carreira?

Minha carreira começou no Senado Federal, onde trabalhei por mais de 30 anos. Passei por diferentes áreas: administração, biblioteca, cultura e projetos institucionais. Essa trajetória me ensinou muito sobre gestão, responsabilidade e, principalmente, sobre a importância de construir relações e entregar resultados.

2. Como é formatado o modelo de negócios do CMEC?

O CMEC tem um modelo de negócio próprio, exclusivo, criado por nós a partir da experiência prática. Fomos conhecer as cidades, conversar com mulheres empreendedoras e entender as diferentes realidades do Brasil. A partir dessa escuta, construímos uma rede que reúne capacitação, networking, negócios e representatividade.
A presença nas associações comerciais, como a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), onde o CMEC nasceu, permite chegar a diferentes regiões e conhecer de perto a realidade de quem empreende. Essa capilaridade fortalece o nosso trabalho.

3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Eu diria que o momento mais desafiador — e, ao mesmo tempo, mais instigante — foi assumir a liderança do CMEC e conduzir sua expansão nacional. Era preciso transformar uma iniciativa em uma rede, respeitando realidades muito diferentes e construindo uma atuação que fizesse sentido para mulheres empreendedoras de todo o país.
Foi um período de muito trabalho, decisões importantes e aprendizado. E também de muita realização, porque acompanhar o crescimento do CMEC e perceber o impacto dessa rede torna o desafio ainda mais estimulante e gratificante. Temos muito a avançar e alcançar.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal e a vida corporativa/empreendedora?

Essa cobrança de equilíbrio não deveria ser dirigida apenas às mulheres. No mundo ideal, homens e mulheres precisam saber administrar vida pessoal e carreira. O problema é que, na prática, essa conta ainda recai fortemente sobre as mulheres.
Durante muito tempo, ao homem foi permitido escolher a carreira e se dedicar integralmente a ela. Da mulher, ainda se espera que seja uma excelente profissional, cuide da família, da casa e esteja disponível para tudo.
Na minha trajetória, aprendi a estabelecer prioridades, dividir responsabilidades e contar com pessoas de confiança. É assim que consigo conciliar as diferentes dimensões da minha vida.

5. Qual é o seu maior sonho?

Meu maior sonho é ver mais mulheres ocupando espaços de poder e decisão. Não apenas na política, mas nas empresas, nos conselhos, nas entidades empresariais, na ciência, na tecnologia e na inovação.
Estarei em Nova Délhi, na Índia, neste mês de setembro, participando do Women-Led Development Summit, do BRICS Women’s Business Alliance, justamente em uma discussão sobre mulheres em STEM, tecnologia digital e inovação. Quero ver mais brasileiras à mesa — não apenas participando, mas decidindo, liderando, investindo e criando.

6. Qual é a sua maior conquista?

Ver o CMEC se transformar em uma rede nacional é uma grande conquista. Mas o resultado mais importante está nas mulheres que essa rede alcança.
Para mim, conquista é saber que uma empreendedora de uma cidade pequena pode ter acesso a conhecimento, conexões e oportunidades que antes estavam concentrados nos grandes centros. E, sobretudo, quero ver mais mulheres ocupando espaços de liderança.

7. Um livro, um filme e uma mulher que você admira?

Livro: Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke.
Filme: A Dama de Ferro.
Mulher que admira: Minha mãe, Consuelo Badra.