Dany Amorim - Mulheres Positivas

Dany Amorim

Nossa Mulher Positiva é Dany Amorim, jornalista, mestre em Comunicação Estratégica, CEO da Espalha Comunicação, diretora de Comunicação da Defensoria Pública de Pernambuco e fundadora do Xô Migalhas. Graduanda em Psicologia, ela une comunicação, liderança e desenvolvimento humano em uma trajetória marcada por reconstrução, propósito e movimento. Nesta entrevista, Dany fala sobre maternidade, carreira, autoestima e o aprendizado de reconhecer o próprio valor para ocupar novos espaços.

1. Como começou a sua carreira?

Minha carreira começou muito antes da faculdade, por meio da arte. Até os 15 anos, eu era uma menina tímida e cheguei a pensar em seguir pela informática. Mas a dança, o teatro e a leitura foram ampliando meu mundo e despertando em mim uma forma mais intensa de enxergar a vida. Por meio dos livros, eu conhecia lugares onde nunca havia estado, vivia outras histórias e compreendia diferentes realidades.
Depois de muitos anos na dança, estudei Artes Cênicas e entendi que a comunicação está na base de todo desenvolvimento humano. Não existe relacionamento, transformação ou construção coletiva sem comunicação. Foi então que encontrei no jornalismo a possibilidade de unir tudo aquilo que já fazia parte de mim: a arte, a escrita, a escuta, a curiosidade e o interesse genuíno pelas pessoas.
Para mim, comunicar nunca foi apenas transmitir uma informação. É criar pontes, dar visibilidade a histórias e ajudar ideias, projetos e profissionais a ocuparem o lugar que merecem. Não é preciso apenas coragem para ser diferente. É preciso comunicar bem para fazer a diferença.
Comecei como assessora de imprensa e sempre me entreguei profundamente à profissão. A Espalha já existia como ideia e atendia alguns projetos, mas eu ainda me apresentava principalmente como a assessora Dany. Reconhecia minha competência e percebia que as pessoas enxergavam muito valor em mim, mas ainda não transformava esse valor em uma visão empresarial estruturada.
A grande virada aconteceu quando passei a olhar para mim com a mesma estratégia, confiança e dedicação que sempre ofereci aos outros. Compreendi que não bastava ser reconhecida externamente. Eu também precisava me enxergar como empresária, executiva e líder do meu próprio negócio. Foi quando a Espalha nasceu verdadeiramente como empresa. Meu crescimento ganhou força quando parei de esperar que somente os outros validassem meu valor e comecei a ocupá-lo por inteiro.

2. Como é formatado o modelo de negócios da Espalha Comunicação?

A Espalha Comunicação atua como agência e consultoria de comunicação estratégica. Nosso modelo combina contratos recorrentes e projetos personalizados para empresas, instituições, entidades e profissionais que precisam fortalecer imagem, posicionamento e reputação.
Oferecemos assessoria de imprensa, gestão de crise, comunicação interna, cultura organizacional, treinamentos e consultorias estratégicas. Mais do que divulgar marcas, buscamos compreender sua identidade, seus objetivos e o valor que desejam comunicar. A partir disso, construímos estratégias capazes de gerar autoridade, conexão e resultados.
Dentro desse ecossistema também está o Xô Migalhas, uma plataforma autoral voltada ao fortalecimento feminino, que trabalha autoestima, posicionamento, comunicação e liderança como estratégias de crescimento. Por meio de conteúdos, palestras, encontros, mentorias e experiências, ajudamos mulheres a reconhecerem seu valor e a ocuparem seus espaços com mais consciência e segurança.
As duas frentes se conectam pelo mesmo propósito: transformar valor em posicionamento e comunicação em movimento.

3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

O momento mais difícil da minha carreira começou em 2019. Eu vinha de anos trabalhando na comunicação política, uma área que amava e que me proporcionava visibilidade, mas percebi que, apesar de ser reconhecida pela minha competência, não estava construindo uma estrutura profissional e financeira sustentável para mim.
Com o encerramento de um ciclo político, vivi uma crise profunda de identidade e propósito. Eu tinha projetos, contatos e experiência, mas ainda não havia transformado a Espalha em uma empresa organizada. Foi justamente nessa fase que descobri a gravidez de João Davi, meu presente de Deus. A maternidade chegou em um momento de instabilidade profissional, financeira e afetiva, obrigando-me a olhar com muita honestidade para a vida que eu havia construído e para aquela que ainda desejava construir.
Decidi permanecer no Brasil e comecei uma reconstrução. Formalizei a Espalha, reorganizei minha atuação, retomei contratos e iniciei um processo profundo de terapia e desenvolvimento pessoal. Enquanto gestava meu filho, também gestava uma nova versão de mim, mais consciente, responsável e disposta a transformar talento em estrutura.
Logo depois veio a pandemia, trazendo novos desafios financeiros e profissionais. Mas também surgiu a oportunidade de atuar na Defensoria Pública, o que me deu estabilidade e permitiu acompanhar de perto os primeiros meses de João Davi. O que parecia apenas um período de perdas tornou-se o início de uma reconstrução pessoal, profissional e familiar.
Foi nesse deserto que compreendi que recomeçar não apaga nossa história. Recomeçar é olhar para tudo o que vivemos, assumir a responsabilidade pelo que precisa mudar e seguir com mais consciência.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal e a vida corporativa e empreendedora?

Eu não acredito em um equilíbrio perfeito e permanente. A vida tem fases, e cada uma delas exige prioridades diferentes. Para mim, equilíbrio não é dar conta de tudo. É não me abandonar para dar conta de tudo.
Uma prática que tem me ajudado é perceber quando estou acelerada ou funcionando no automático. Antes, quando isso acontecia, eu me questionava e me culpava ainda mais. Hoje, eu paro e digo a mim mesma: ‘Dany, não precisa ser assim.’ Respiro, diminuo conscientemente o ritmo e retomo uma atividade de cada vez. Parece um gesto simples, mas me ajuda a voltar ao presente.
Também estou aprendendo a substituir a cobrança excessiva pela escuta. Sou muito exigente comigo e, durante muito tempo, associei responsabilidade a estar sempre produzindo, resolvendo ou antecipando o que precisava ser feito. Hoje, procuro me ouvir antes de simplesmente continuar. A respiração, a meditação e os momentos de pausa tornaram-se ferramentas importantes nesse processo.
Em casa, trabalhamos muito o respeito pelo tempo, pelos sonhos e pela individualidade de cada um. Quando meu filho pergunta se vou estudar ou trabalhar novamente, conversamos sobre o fato de que todos nós temos responsabilidades, projetos e também o direito de fazer o que amamos. Dedicar-me ao trabalho e aos estudos não significa amá-lo menos. Também é uma forma de mostrar, pelo exemplo, a importância de construir a própria trajetória.
Por isso, valorizo mais a qualidade do que apenas a quantidade de tempo. Quando estamos juntos, procuro estar verdadeiramente presente, com menos culpa, frustração ou cobrança. Conciliar maternidade, família, vida afetiva, espiritualidade, estudos e trabalho continua sendo um exercício diário. Quando perco o ritmo, paro, reorganizo minhas prioridades e recomeço com mais consciência.

5. Qual é o seu maior sonho?

Meu maior sonho é construir uma vida próspera, harmoniosa e com propósito, na qual meu crescimento profissional não aconteça separado da mulher, da mãe e da pessoa que sou.
Quero consolidar a Espalha como referência nacional em comunicação estratégica e ampliar o Xô Migalhas para alcançar cada vez mais mulheres, ajudando-as a reconhecer o próprio valor, fortalecer a autoestima e ocupar seus espaços com segurança. Meu sonho é que meu crescimento não termine em mim, mas gere movimento e transformação na vida de outras pessoas.
No aspecto pessoal, desejo construir segurança, estabilidade e um lar onde meus filhos possam crescer sabendo que são profundamente amados e, ao mesmo tempo, livres para construir seus próprios caminhos. Quero acompanhar as conquistas deles, viver uma relação afetiva madura, permitir-me amar e ser amada sem perder minha individualidade e continuar cuidando da minha família, que é parte essencial de quem sou.
No fundo, meu maior sonho é viver por inteiro: ser bem-sucedida sem me afastar da minha humanidade, crescer sem abandonar minhas raízes e deixar um legado de amor, comunicação e transformação.

6. Qual é a sua maior conquista?

Minha maior conquista é ter transformado minhas experiências, inclusive as mais difíceis, em consciência, movimento e construção.
Tenho orgulho da credibilidade que construí na comunicação, da Espalha, do trabalho que desenvolvo na Defensoria Pública e do nascimento do Xô Migalhas. Mas nenhuma dessas realizações estaria completa se eu não reconhecesse também a mulher que precisei me tornar para sustentá-las.
Sou filha de Ida Amorim, uma mulher inteligente e sábia, que me ensinou algumas das maiores lições da vida por meio de palavras aparentemente simples: bom dia, boa tarde, boa noite, com licença, obrigada e desculpa. Com ela, aprendi que é possível enfrentar obstáculos com força sem perder a educação, a sensibilidade e a humanidade. Também sou grata ao meu pai pelo dom da vida e por tudo o que faz parte da minha origem.
Ao lado da minha irmã, Poliana Amorim, formamos uma família de três mulheres com personalidades e trajetórias diferentes, mas unidas pelo amor à vida, pela inteligência, pela comunicação e pelo desejo de construir nossas próprias conquistas. Reconhecer de onde venho também me ajuda a compreender a mulher que sou.
Meus filhos, João Matheus e João Davi, são a parte mais profunda dessa história. Ser mãe me ensinou sobre amor, responsabilidade, coragem e recomeço. Também aprendi que cuidar deles não exige abandonar meus sonhos, mas construir uma vida da qual eles possam se orgulhar.Hoje, também vivo uma nova fase afetiva ao lado de Alexandre Costa. Tenho aprendido que é possível  permitir-me amar e ser amada, viver o companheirismo e compartilhar sonhos sem abrir mão da minha individualidade. 
Por isso, considero minha maior conquista ter começado a integrar todas as minhas dimensões: filha, irmã, mãe, mulher, jornalista, empresária, estudante e palestrante. Ainda estou em construção, mas hoje consigo olhar para minha trajetória e reconhecer não apenas o que realizei, mas quem me tornei para chegar até aqui.

7. Livro, filme e mulher que admira

Livro: A Magia, de Rhonda Byrne, foi um livro que transformou minha relação com a gratidão e me ajudou a incorporá-la como prática diária. Também tenho uma ligação especial com a obra de Clarice Lispector. Sua escrita sempre me convida a olhar para dentro e a compreender as muitas camadas da experiência humana.
Filme: Comer, Rezar, Amar. A história me marcou por apresentar uma mulher que interrompe o automático e inicia uma jornada para se reencontrar. Identifico-me com essa busca pela liberdade, pela espiritualidade, pelo prazer de viver e pela possibilidade de amar sem deixar de pertencer a si mesma.
Mulher que admiro: Clarice Lispector. Admiro sua inteligência, sua intensidade e a coragem com que transformou em palavras sentimentos e contradições que muitas pessoas vivem, mas nem sempre conseguem nomear. Clarice não escrevia apenas sobre a vida. Ela mergulhava na existência humana. Como jornalista, comunicadora e estudante de Psicologia, reconheço nessa sensibilidade uma forma poderosa de transformação.